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José Duarte - In Memoriam

No dia em que é celebrada a Missa do 30º dia em memória do nosso companheiro José Duarte, resolvemos recuperar um texto seu, escrito há alguns anos e publicado no espaço de Opinião do site antigo.

 

Este texto, que continua a ter a sua actualidade, mostra a quem o não conhecia tão bem como nós quem era o atleta José Duarte.

 

Quanto ao José Duarte Colaborador da AMMA e também da Revista Atletismo, Jornal da Região, TV Amadora e outros fica gravada para sempre em cada um de nós a sua memória.

 

No que respeita ao AMIGO, apenas um até já !!!!

 

Porque corro? Para onde corro?


Com este texto, quero deixar a todo(a)s o meu testemunho pessoal de uma vida ligada ao atletismo. Não gosto muito de falar de mim, mas, se contribuir para que alguém tenha uma vida mais saudável e sinta prazer em praticar desporto, sentir-me-ei feliz.

 

Nasci em Angola, há 36 anos, fruto de uma família unida. O meu pai era atleta, não de alta competição, e ganhava provas.

 

Das suas façanhas, guardo velhos recortes de jornal, memórias de um ser fantástico, desaparecido, ainda jovem, fruto da traição do tabaco, essa bomba que destrói por dentro. Numa época em que os malefícios do mesmo ainda não eram tão conhecidos como agora e em que os tratamentos para a “doença da moda” pouco mais eram do que ineficazes, quase nada havia a fazer e ele partiu, quando eu ainda não completara três anos de idade. Também por causa dessa morte, até hoje, nunca coloquei um cigarro na boca. Em boa hora o fiz e se aquele(a)s que lêem estas linhas fumam, peço-vos que tentem parar esse vício. Vocês conseguem. Tenho vários exemplos de amigos que conseguiram. E o vosso corpo agradece-vos.

 

Desde pequeno, sempre gostei muito de praticar desporto. Com doze anos de idade, iniciei-me no atletismo. A caminho de duas décadas e meia de prática deste fascinante desporto, congratulo-me por tudo o que ele me deu. Dei-lhe muito. Dedicação, tempo. Fui (sou) atleta amador, escrevo artigos, tiro fotos de provas, ajudei a treinar atletas e organizei corridas. Mas, o que ele me tem dado foi muito mais do que eu tenho feito por ele. Foi no atletismo que conheci a minha primeira namorada, que, fruto dos desígnios de Deus, vinte anos depois se tornou minha mulher. Participei em centenas de provas, de norte a sul do país. Corri inúmeras vezes em Espanha e no Brasil. Conheci milhares de pessoas, travei conhecimento com muitas, fiz amizades com algumas. Hoje, alguns dos meus melhores amigos pertencem a esta “comunidade atlética”.

 

Passei por momentos de maior fulgor e vigor e por outros onde a vontade de treinar e correr era bem pouca, mas, nunca desisti. Preocupação com vitórias, títulos e prémios, nunca tive. Mas, quando corro, sou feliz. Liberto-me, afasto-me de situações menos agradáveis que polvilham o nosso quotidiano, revigoro-me. É bom sentir-me saudável, apesar do peso dos anos já se fazer sentir no corpo (lol), entrar na festa da corrida, observar rostos, corpos, sentir-me envolvido por um ambiente único que só o atletismo nos proporciona.

 

Não sei para onde corro, nem o que o futuro me reserva, mas, vou lutar para que o atletismo nele esteja incluído. Já não participo em tantas provas como o fazia antes e, alguns, sentem a minha falta, mas, a todo(a)s aqui deixo uma mensagem: o “bichinho” da corrida continua vivo.

 

A terminar, como diz o meu amigo Gaspar, “façam o favor de serem felizes”.
 

José Duarte

 

 


 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017 – 20:07:42

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