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A Tempestade de Shakespeare em exibição no TEC

 

A Tempestade de William Shakespeare está em exibição de 1 de Julho a 4 de Agosto, de 3ª a Domingo.

 

Esta peça, uma das últimas que o autor escreveu, decorre no TEC com um elenco composto com os actores: José Raposo, Luiz Rizo, Renato Pino, Sérgio Silva e Teresa Côrte-Real em conjunto com os alunos finalistas da Escola Profissional de Teatro de Cascais, que estão a apresentar a sua prova de final de curso.

 

O tema desenrola-se à volta de um misto de história de amor, vingança, conspiração, em que entra a figura disforme, selvagem caracterizada pelos instintos animais que o caracterizam.

 

O local em que se passa a peça é uma ilha, habitada pelo Duque de Milão, dotado de poderes mágicos e a sua filha. Não estão lá por opção, mas sim por motivos de traição política. Próspero, o Duque de Milão, tem a seu serviço Caliban, o escravo disforme, e Ariel, o espírito servil e assexuado com poderes sobrenaturais que em conjunto com Próspero se combinam.

 

Após provocarem um naufrágio, Próspero acolhe na ilha os ocupantes do navio, com o propósito de os levar à loucura. Um dos ocupantes é um príncipe, que para Próspero, é um potencial noivo para a sua filha.

Assistimos a um dos ensaios finais, e falamos um pouco com Carlos Avilez, o encenador da peça, e com o actor e aluno Miguel Amorim que representa a figura de Caliban.

 

(ao encenador)

AMMA: Que desafio especial tem a peça “A Tempestade” de Shakespeare para si como encenador?

 

Carlos Avilez (CA): É um desafio. É considerada uma das últimas peças de Shakespeare e é um desafio para um encenador fazer um texto destes, um texto maravilhoso, um texto espantoso e é talvez uma reflexão sobre toda a obra Shakespeariana. Portanto será também uma reflexão sobre a obra dos encenadores, dos actores, de todos nós. Uma reflexão sobre a classe teatral.

 

AMMA: Nesta peça qual é a sua personagem favorita, e porquê?

 

CA: Pessoalmente a minha personagem favorita é o Caliban, porque acho que é selvagem, é aquilo que tem de autêntico e verdadeiro… aquilo que é fascinante, portanto claro que é uma personagem única no nível Shakespeariano, que é Próspero e Ariel. Eu vou muito pelo personagem Caliban ao nível de encenador, porque acho que o Caliban é uma continuidade, é uma coisa que realmente se mantém a 100%.

 

AMMA: Quando recebe no elenco, finalistas da Escola Profissional de Teatro, sente alguma nostalgia? Faz-lhe relembrar as primeiras vezes que entrou em palco?

 

CA: Evidente. Eu acho que não é por acaso que se faz “A Tempestade” num exame final de alunos. Temos estado a passar-lhes uma mensagem. Eu lembro-me de quando comecei, de tudo o que se passou com a Amélia Rey Colaço e essa gente toda. Realmente eu acho que tenho que passar a minha experiência de 60 anos de profissional aos meus alunos. Tento passar isso, e quando eles saem, são um bocado da minha vida que sai pois eles estão muito ligados a mim e eu a eles.

 

(agora com Miguel Amorim, o Caliban)

 

AMMA: O que o levou a escolher a vida do teatro?

 

Miguel Amorim (MA): Eu quando era mais novo, sempre quis ser muita coisa como todos nós. Já quis ser jogador de futebol, já quis ser até pastor e muitas coisas, e o sítio onde eu podia combinar tudo, era no teatro, onde se pode ser tudo e onde se pode levar a imaginação a um nível extremo, sem limites, e se pode ser tudo. Depois eu tive o contacto, quando mudei de casa, com a Academia de Santo Amaro, em Alcântara, e decidi: ora vou experimentar teatro. Experimentei e gostei, e aqui estou, vim para a escola, e a agora a terminar três anos.

 

AMMA: Qual é a sua espectativa profissional para o futuro?

 

MA: É sempre complicado pensar numa perspectiva para o futuro tendo em conta este ramo. A única solução é trabalhar, ir a castings e ir a tudo. Explorar tudo, aprender sempre mais. A seguir vou para o conservatório na Amadora, porque penso que três anos não chegam para mim como formação de actor, então tenho que prosseguir os estudos e como uma professora, Beatriz Batarda que nós tivemos, ela tem já os seus 40 anos se não estiver em erro, e continua a trabalhar e a estudar, a fazer sempre cursos e workshops, com toda a gente que aparece. É difícil, mas é o mercado que temos, tem que se trabalhar sem parar, incansavelmente.

 

AMMA: O que sente ao representar hoje neste palco com actores com mais anos de experiência?

 

MA: Eu já tinha tido experiências em provas de aptidão profissional, quando estive no primeiro e no segundo ano da escola, e também tive a experiência de fazer o Macbeth com o Carlos Avilez. Foi uma grande experiência para mim, porque como o Carlos diz, a Eunice Muñoz que é a Eunice, nunca fez Shakespeare, e eu vou fazer pela segunda vez, sinto-me um privilegiado. E trabalhar num palco onde já passou, Maria do Céu Guerra, Diogo Infante, já passou Santos Manuel, Zita Duarte, e tantos outros, é uma grande honra estar a representar no palco do TEC que tem 50 anos e que mudou muita coisa no Teatro, ainda por cima com actores, que alguns foram meus professores, e que tiveram contacto com outros actores. Por isso é uma constante aprendizagem para todos. Eles aprendem connosco e nós aprendemos com eles, e é muito bom essa partilha de conhecimento, é por aí.

 

AMMA: Nesta peça, qual é o seu personagem favorito?

 

MA: O meu personagem favorito obviamente é o meu, porque é o personagem que eu estou a trabalhar e que eu estou a conhecer aprofundadamente, que é o Caliban, que é um escravo de Próspero. Próspero tem o escravo Caliban, e tem um servo que é Ariel. Porém Ariel vai ser libertado e sabe disso. Caliban, não vai ser libertado e nem tem consciência do que é ser libertado porque não tem sequer conhecimento do conceito de liberdade, pois sempre viveu aprisionado a alguém, viveu sempre sobre a tutela de alguém, e é uma personagem muito complexa com muitas camadas, e que é um ser deformado, que nós aqui estamos a querer contornar isso, apesar de não estamos a fazer transformações físicas, que já nasceram com ele, estamos a fazer deformações que foram provocadas pela sua condição de viver numa gruta, e de viver sempre a carregar com coisas, e a construir coisas para Próspero. Ele tem muitas camadas, tem uma paixão por Miranda, filha de Próspero, que não sabe exprimir, portanto tenta violá-la, e é por isso que Próspero é tão severo com ele. Fica bêbado, e está sempre à procura de um amo, não sabe o que é a liberdade, está sempre preso ao seu corpo, sempre preso à sua condição de escravo, e muito difícil de lidar com tantas coisas ao mesmo tempo e ter que levar isso para cena. É mesmo muito complicado, mas estamos a ter a ajuda do Carlos Avilez e da Olga Roriz e de todos os meus colegas que são maravilhosos para mim. Ajudamo-nos sempre uns aos outros. E o ver, o importante é ver, porque ao vermos não estamos só a dar força ao outro e a fazer com ele, como estamos sempre a aprender novas perspectivas, “e se fizéssemos assim”, “ e se calhar faz mais sentido assim”, ou “porque é que ele fez isto”, tudo faz sentido, agora que fugi do tema da conversa de quem era o meu personagem preferido, porque é o meu e tem muitas camadas e apesar de ser um ser deformado, é capaz de ser o ser mais humano d’ “A Tempestade”.

 

Esta peça foi traduzida por Fátima Vieira, encenada por Carlos Avilez, a cenografia e os figurinos a cargo de Fernando Alvarez, com a música original de Rui Rebelo, a coreografia de Olga Roriz e a dramaturgia de Miguel Graça.

 

Mais detalhes da história da peça, não revelamos… desfrute dela no local. Quanto à curiosidade em espreitar um pouco dela, veja as fotos no final.

 

Texto e Fotos: Pedro MF Mestre

 

clique na foto para visualizar a fotorreportagem completa

 

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quarta-feira, 17 de julho de 2019 – 06:38:06

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