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Conferência evoca os 500 anos da criação da Freguesia de Santa Maria da Ajuda de Peniche

 

 

No próximo dia 10 de dezembro, pelas 16h00, terá lugar no Edifício Cultural da Câmara Municipal de Peniche a conferência "A constituição da freguesia de Santa Maria da Ajuda de Peniche", pelo investigador Rui Mesquita Mendes.

 

Conferência “A constituição da freguesia de Santa Maria da Ajuda de Peniche” Rui Manuel Mesquita Mendes

 

Resumo:


Os arquivos eclesiásticos de Lisboa, nomeadamente os do Patriarcado e os dos conventos extintos em 1834, são ainda hoje uma fonte de informação muito importante, não só sobre a história das próprias instituições, como também sobre a história do território, património e entidades sobre os quais tinham algum tipo de jurisdição.

 

Entre os maços provenientes do Cartório do Convento de São Bento de Xabregas em Lisboa, da Congregação dos Cónegos Seculares de São João Evangelista, ou dos Lóios (por lhes ter sido doada a Igreja de Santo Elói), existem 9 maços de uma série documental descrita genericamente como «Documentos relativos à igreja de São Leonardo de Atouguia 1463/1804» e que até à data permanecem inéditos ou pouco conhecidos. Trata-se de uma série documental que abrange cerca de 330 documentos, um número aproximado porque estes não foram ainda catalogados, e vários estão em mau estado de conservação a aguardar restauro.

 

Os documentos de São Bento de Xabregas (estes da série acima descrita) tratam, na sua maioria, das questões relacionadas com o direito de padroado do convento sobre a Igreja de São Leonardo de Atouguia, igreja que D. Afonso V lhes doou, com todo os seus direitos, em 23 de julho de 1463. Neles se referem e transcrevem também outros documentos respeitantes às igrejas e capelas filiais à igreja paroquial de Atouguia da Baleia, nomeadamente as que se erigiram na Ilha de Peniche, povoação que em 1609 se constituiu como vila e concelho autónomo separado do termo de Atouguia, mas que permaneceu ligada do ponto de vista religioso a esta vila medieval até ao fim do Antigo Regime.

 

Sobre as paróquias, igrejas e capelas de Peniche são vários os documentos inéditos que ali se podem consultar, em especial os respeitantes ao século XVI, um período particularmente importante no desenvolvimento da localidade, mas que aparentemente tinha deixado pouco lastro documental nos arquivos locais, apesar de algumas notícias publicadas nas corografias e memórias manuscritas do século XVIII, complementadas com o importante trabalho de investigação e divulgação de autores como Albino Lapa (1954), Mariano Calado (1962-1999), Raul de Carvalho (1964), Vítor Serrão (1981-1984), Flávio Gonçalves (1982-1984), Francisco Manuel Salvador (1986), Florival Maurício Ferreira (1997), Fernando Engenheiro (2000-2010) e Mário Baptista Pereira (2005).

 

De todos estes documentos inéditos que pudemos consultar, um se destacou pela sua antiguidade e pela efeméride que relata a qual faz precisamente 500 anos em 2016, trata-se da transcrição de uma Letra apostólica do Papa Leão X que a pedido dos habitantes dos lugares de Peniche e da Ribeira, do termo da Atouguia, lhes concede a faculdade de terem um capelão com cura de almas na Igreja de Santa Maria da Ajuda, constituindo assim uma freguesia separada da matriz, a mais antiga da localidade.

 

Esta Letra Apostólica foi lavrada em Roma em 12 de dezembro de 1516, sendo depois confirmada em Lisboa por sentença de 21 de maio seguinte.

 

Nesta comunicação daremos a conhecer as circunstâncias do estabelecimento da freguesia de Santa Maria da Ajuda de Peniche em 1516 e outros documentos inéditos sobre as paróquias, igrejas e capelas da cidade de Peniche.

 

Rui Manuel Mesquita Mendes * (Lisboa, 1974 – ), Licenciado em Engenharia de Produção Industrial pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (1998) e em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2015), desde 2007 tem-se dedicado como investigador ao estudo da história e património religioso da região de Lisboa, e sobretudo dos arquivos eclesiásticos existentes na Torre do Tombo e no Patriarcado de Lisboa. Membro do Centro de Documentação de Instituições Religiosas e da Família (CDIRF), colabora regularmente com centros de investigação académica no âmbito da História Medieval (IEM-FCSH), História da Expansão Portuguesa (CHAM-FCSH) e História de Arte (Artis-FLUL), além de outras instituições ligadas ao estudo, defesa e conservação do património como o Centro de Arqueologia de Almada, a Comissão Diocesana de Arte Sacra da Diocese de Setúbal e o Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa. Desde 2007 publicou 10 artigos, colaborou em 3 monografias, e realizou 12 conferências; em 2017 prepara a edição de 2 livros sobre a história e património dos concelhos de Almada e Seixal.

 

A sua comunicação sobre a história das paróquias de Peniche no século XVI resulta precisamente deste trabalho de investigação em torno da história do Patriarcado de Lisboa, das suas instituições e do seu património, onde tem tido oportunidade de contactar com arquivos ainda pouco estudados ou mesmo inéditos e que se têm revelado bastante úteis para compreender, não só as dinâmicas do fenómeno religioso na região de Lisboa do período moderno, como também das cronologias patrimoniais e artísticas a ele associadas.

 

* https://independent.academia.edu/HistóriaEPatrimónio

 

Esta iniciativa insere-se no programa evocativo dos 500 anos da Freguesia de Peniche, organizado pelo Município de Peniche, Junta de Freguesia de Peniche e Paróquia de Peniche.

 

 

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sexta-feira, 7 de agosto de 2020 – 01:10:38

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