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Violent Blue - Álbum de Estreia - Misfit Trauma Queen

 

 

 

 

Misfit Trauma Queen traduz de forma hiperbólica a auto-crítica severa com que o seu criador penitencia as suas vulnerabilidades e inseguranças, ou, como o próprio assume “aquelas vozes que falam mais alto em caso de dúvida, aquelas que se alimentam do medo, ou, que me impedem de seguir os meus instintos”.

 

A sua música vive num clima de tensão e desassossego cujos impulsos se inquietam na memória, como sugerido no single-videoclip já revelado, "GlassJaw".

 

 

"Violent Blue" é a primeira aventura a solo de David Taylor, baterista e produtor auto-didacta, que enquanto adolescente se rendeu ao rock: “tinha um Pentium 11 onde corria os videoclips dos meus grupos favoritos, e tentava seguir os movimentos dos bateristas, com uns pauzinhos dos chineses num banco. Ficou mais sério aos 14 quando criaram uma banda de punk no meu grupo de amigos”.


O envolvimento com bandas no seio da DRAC - Direito de Resposta Associação Cultural, principal dinamizador artístico do circuito alternativo da Figueira da Foz, foi uma constante até 2017 com o fim do projecto Bad Pig.

 

Para além da fama de louco, o gajo das baquetas, é normalmente o instrumentista a que pouquíssimas bandas dão espaço na composição dos temas. Confrontado com o fim do grupo, David Taylor empenha-se na descoberta das electrónicas, que tanto contribuiram para a democratização da produção musical e recuperação dos moldes lo-fi/ DIY do punk, o que o leva a uma nova paixão e à experiência libertadora apresentada em “Violent Blue”. Misfit Trauma Queen permite-lhe, comparativamente ao passado, explorar novas áreas melódicas e dinâmicas, usando de uma linguagem mais sugestiva com recurso a elementos retirados do jazz ao math-core, do hip-hop ao industrial, e a um (in)certo experimentalismo na missão de “desapontar o ouvinte”.

 

Sobre o processo criativo,David Taylor diz “tenho muitas ideias na rua, e gravo no telemóvel a caminho do trabalho ou do café, sobretudo ritmos, porque o meu core é esse. Depois trabalho e exploro essas ideias em casa, até horas indecentes, e a verdadeira inspiração aparece quando entro no state of flow, o tempo e o espaço desaparecem, é tudo intensamente pessoal”. Este discurso de sounddesigner faria prever um álbum frio e impessoal, mas o resultado é espontâneo e vibrante, com um pulsar que faz do ritmo a alma da música. A matriz techno de queDavid Taylor se serve não é o modelo 4/4, é outra mais progressiva que se metamorfoseia, e que atravessa a corrente contínua dos instrumentais cinemáticos de “Violent Blue”.

 

Em 2020 o som do mundo que nos rodeia pode ser electrónico, mas Misfit Trauma Queen acrescenta-lhe um pouco de poesia experimentando timbres e atmosferas na condição da pop. Pode ser thrillbient, cinematic electronica, ou, crime-techno, como, crime-jazz... Rótulos à parte, MTQ reflecte em simultâneo a realidade caótica, o estado de alucinação e vertigem, da errância em que hoje se vive. “Violent Blue” é um álbum duma ambivalência física, cerebral, e emocional, que devenda dez estruturas narrativas ao melhor estilo film-noir, como num bom thriller de ficçao cientifica. Curiosamente, o nome do álbum é retirado de um filme ondeDavid Taylor ouviu certa personagem apelidar outra de “Violet Brown”, o que lhe serviu para misturar com o(s) blue(s) que definem o ambiente obscuro e solitário na origem dos dez temas do álbum.


Fiumani aka Mani, designer e street-artiist italiano com estúdio em Lisboa, veio complementar este imaginário responsabilizando-se pelo artwork. Ficamos a aguardar o live-act nos meses que se seguem.

 
 

 

Periodicidade Diária

domingo, 23 de fevereiro de 2020 – 08:13:22

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