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Um dia especial

 
O 1º de Maio poderia ter sido mais um feriado do dia do trabalhador, semelhante aos trinta e seis anteriores, em que eu me deixaria ficar prostrado na cama até horas impróprias (“a comida está na mesa!”), sob uma doce sonolência, a tentar repor os níveis de descanso, tão desvalorizados nos restantes dias do ano.

Porém, esta data foi escolhida pela Federação, para comemorar o Dia Nacional da Orientação, louvável iniciativa “sonhada” no ano transacto por Joaquim Margarido, autor do mediático blogue Orientovar, considerado actualmente uma peça imprescindível no seio da modalidade. E assim, lá se gorou a minha hipótese de preguiçar durante uma bela manhã. Mãos à obra que se faz tarde!

Se havia festividades previstas na Orientação, logicamente que o meu Clube iria estar associado a esses eventos, demonstrando um dinamismo assinalável, já que no último fim-de-semana tínhamos organizado duas provas regionais. Ainda não havíamos concluído as tarefas de uma e logo fomos convocados para outra. É dose!

Mas desta vez a prova revestia-se de um cariz especial. Para além de se encontrar inserida nas actividades nacionais da modalidade, o GD4C aproveitou o ensejo para a designar de Troféu de Orientação Sálvio Nora, como forma de homenagear o seu ex-atleta, numa altura do aniversário do seu desaparecimento.

Desse modo, o sacrifício de despertar às seis da matina no tal feriado do remanso, foi substituído pelo gozo de colocar de pé mais um evento de orientação, direccionado para o seu ensino e divulgação e simultaneamente o de poder participar na justa evocação do saudoso Sálvio.

E apesar duma chuva miudinha (felizmente de pouca dura) que nos recebeu no Parque do Carriçal em Matosinhos, local onde a prova iria decorrer, o “berdadeiro” apresentou-se fresco como uma alface e pronto a contribuir para uma manhã que se esperava memorável. Tudo em prole da sua paixão desportiva e em honra de quem muito porfiou pela prática eclética do exercício físico, porque embora tendo terminado como orientista, Sálvio foi um excelente praticante de voleibol, experimentou as grandes maratonas urbanas e teve ainda a coragem de calcorrear as selectivas ultras de montanha, só ao alcance dos melhores. Um atleta com “A” gigantesco.

O ambiente que se gerou à volta do evento, não poderia ser mais adequado aos objectivos que lhe estavam subjacentes. Cerca de três centenas de participantes, misturando-se alguns atletas federados, com várias representações escolares, um numeroso grupo de deficientes motores e uma larga quantidade de gente anónima, a maioria a dar os primeiros passos na modalidade. Uma verdadeira festa em perspectiva.

Como as hostes orientistas bem sabem, na filosofia organizativa do meu Clube não constam termos como “negligência” ou “laxismo” - se há prova, com certeza que haverá seriedade e responsabilidade. Baseados nestes princípios de rigor, apresentamos uma Arena com todas as condições exigiveis a qualquer competição oficial, um mapa devidamente actualizado, percursos traçados com extremo cuidado (existência de “loops” a fornecer o toque técnico) e a cereja no topo do bolo - a utilização do motivador “chip” (publicar resultados provoca mais adrenalina). Com tamanha dose de mordomias, os participantes estavam proibidos de se queixar, ai deles…afinal até a inscrição era gratuita.

No entanto, houve um pormenor que foi alvo de especial atenção. Atendendo que grande parte da rapaziada não dominava a simbologia e a sinalética (ena! tantos “X”), nem tão pouco tinha posto os olhos num mapa com aquelas caracterísitcas e a bússola… (que raio é isso?), a Organização disponibilizou um número apreciável de atletas para desempenharem as funções de monitores. Não fosse o diabo tecê-las e algum mais enrascado atascar-se no meio das vielas das vivendas das Sete Bicas (diga-se a propósito, que seria um feito inédito).

Na falta de mão-de-obra, o “berdadeiro” também foi chamado a apoiar uma família de principiantes “corredores”, que demonstraram alguma queda para estas lides, de tal modo que a meio do percurso convenceram-se que já se sentiam capazes de continuar sozinhos (“cá para mim, estavam fartos de te aturar”).

Pela via das dúvidas, resolvi “chagá-los” até à meta, para ficarem com a cartilha completa (ainda não tinha abordado a intrincada problemática da curva da nível) e porque fiquei convicto, que a sua atitude insensata não passou de uma alucinação de “maçaricos” (onde já se viu dispensar os préstimos do “berdadeiro”?).

A terminar e num momento de profunda emoção, o GD4C consubstanciou a sua homenagem a Sálvio Nora, oferecendo um diploma à irmã, atribuindo-lhe a qualidade de sócio de mérito a título póstumo – singelo, mas sentido.

A festa foi bonita Sálvio …
…e mais uma lágrima caiu… 

Periodicidade Diária

segunda-feira, 30 de novembro de 2020 – 02:03:43

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