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A primeira época

“Lá vem o tipo com mais invenções. Farta-se de apregoar que esta é a sua quinta época, e agora vem com a conversa da treta de ser “a primeira”. Às tantas lembrou-se de contar mais umas “istórias” rebuscadas do século passado, que não interessam nem ao Menino Jesus”.

Sintam-se à vontade para conjecturar o que vos der na real gana, que eu aguento qualquer desaforo, mas na verdade torno a afirmar que esta é a minha “berdadeira” primeira época. Provavelmente, com a ajuda dessa preciosa e carismática designação, vocês até já começaram a entender o motivo do tema.

A referência ao meu alter-ego não é a principal justificação para esta abordagem. Não posso negar que o “berdadeiro” nasceu para a Orientação este ano, mas apenas, porque as contingências assim o exigiram. A verdadeira razão baseia-se no relevante facto, de esta ter sido a primeira época que enverguei as cores de um clube e desde logo, com a responsabilidade e a honra de ele ser um dos mais prestigiados da modalidade.

No entanto, existe uma coincidência que não é inocente e que já foi por demais esmiuçada - o meu ingresso no GD4C simultaneamente com o “berdadeiro”. Portanto, não seria de todo descabido fazer uma dissertação sobre o seu debute pelas florestas, mas isso foi chão que deu uvas, pois já escrevi qualquer coisa, como quatro dezenas de textos sobre as suas desventuras (é obra e enjoa!). Sendo assim, fiquemo-nos pela alegria vivida na primeira experiência clubista.

Estou claramente nas nuvens. A época não poderia ter corrido melhor ao GD4C. Creio firmemente, que a minha aura teve decisiva influência nos espectaculares momentos por que passámos. Se não, como se explica a circunstância de nas doze temporadas de existência do ranking, nunca o clube o ter vencido, facto que veio a acontecer, precisamente na minha época de estreia. Se isto não tem dedinho do “berdadeiro”…arrumo já as sapatilhas.

Após um belo parágrafo de extrema presunção e devaneio, vou baixar à terra e confessar o óbvio. Efectivamente, pouco ou nada contribuí para o brilhante êxito alcançado. Mau grado o empenho com que me entreguei à competição, apenas consegui pontuar uma vez para a classificação colectiva, numa soberba e surpreendente prova na Nazaré, deixando o restante protagonismo, para quem pode e sabe mais do que eu ou…que não têm um “Super-Albano” a infernizar os miolos, que é um chato dum desmancha-prazeres e me esmaga as pontuações a mínimos risíveis. Pelo menos a bater palmas e a incentivar os companheiros estive sempre ao melhor nível (hehe!).

Quase todos os elementos da equipa tiveram honras de subida ao pódio (até a minha mulher lá esteve duas vezes!), com excepção de meia dúzia de infortunados, onde se inclui um desanimado e inoperante “berdadeiro”. Para compensar o desgosto pelos constantes e frustrantes resultados pessoais, os meus companheiros fizeram questão de me proporcionar inúmeras alegrias, ao alcançarem sucessivas vitórias, que surtiram um efeito de autêntico bálsamo às maleitas da psique.

Reconheço que existe uma intransponível animosidade entre mim e o pódio, mas ninguém me pode acusar de falta de vontade de lhe colocar os pés em cima. Os litros de suor com que normalmente encharco o equipamento, disso são prova. Apenas não encontro solução para controlar o ritmo inexorável do cronómetro. E penso igualmente, que não mereço ser castigado por usufruir em pleno dos montes e florestas, demorando um pouco mais que a concorrência, dando largas à minha veia bucólica, nas apelidadas loucas e atípicas pernadas (sensibilidades de “berdadeiro”).

Enfim, para eu dispor do privilégio de gozar os prazeres pastoris, a restante rapaziada atira-se com unhas e dentes aos mapas (percorrendo curvas de nível com igual facilidade, com que eu digiro fatias de toucinho-do-céu), centrando sobre si as luzes da ribalta, evitando desse modo, que eu seja alvo dos comentários reprovadores da equipa técnica, que possam originar penalizações contratuais dolorosas (os tais treinos intensos nas “pedrolas”). Chiu! O importante é que o “berdadeiro” passe despercebido.

Para além do estrondoso triunfo colectivo, que me encheu de orgulho e, porque não assumi-lo, de justificada vaidade, os atletas do GD4C ainda obtiveram uma dúzia de resultados individuais, dignos dos mais rasgados elogios. Cá para mim foram mais “AS” atletas que se destacaram, mas esses pormenores sexistas não interessam a ninguém, senão ainda sofremos algum levantamento feminista interno e isso não é nada bom.

Dado que em termos desportivos cedi a primazia aos especialistas, vi-me na necessidade de dar o corpo ao manifesto na área organizativa, tendo ganho algumas “medalhas de mérito” (opinião meramente pessoal), após ter conhecimento das excelentes críticas dirigidas ao clube, na sequência das provas de que foi responsável, com particular realce no Norte Alentejano O`Meeting e Troféu de Manteigas. Como neste aspecto, o trabalho de equipa é fundamental, todos os envolvidos tiveram direito ao seu quinhão. Por muito ou pouco que tenha colaborado, senti que também me calhou um pedacinho do galardão. Então aquela distinção, atribuída pela consagrada Helena Jansson e pelo site da especialidade “World of O” ao mapa da Aldeia da Mata, pôs-me de babete. Afinal, sempre andei por lá a amarrar umas fitas e a contar “pedrolas”, hehe!

Mas a maior recompensa assenta na imensa satisfação de integrar uma respeitável “família” de verdadeiros orientistas. O facto de ostentar o mesmo emblema que a “campeoníssima” Maria Sá, o eclético Luís Leite, o decano Joaquim Costa, as jovens promessas nacionais Joana e Isabel ou o guru da modalidade, Fernando Costa (os restantes vão-me perdoar a omissão), deixa-me em êxtase e colmata de forma eficaz, as minhas contínuas falhas no campo técnico e físico (o Marcolino bem tenta, mas é chover no molhado!).

A partir de agora, a perspectiva que eu tinha da Orientação, alterou de forma radical. Não obstante praticarmos uma modalidade de cariz individual, quando se faz parte de um clube e se tenta seguir a sua filosofia e perfilhar da cultura instituída, jamais devemos agir em termos estritamente pessoais. Abandonamos os comportamentos egocêntricos e preocupamo-nos com o interesse do colectivo. Temos presente, que os êxitos ou fracassos do “tóno”, da “maria” ou do “jaquim”, representarão sempre vitórias ou derrotas da equipa e por conseguinte, serão partilhadas por todo o grupo.

Tenho um palpite, que estas últimas afirmações podem gerar controvérsia e até já sinto o “cortar na casaca”, mas nunca se esqueçam de mais uma “original” frase do pensador orientista, Zé do Azimute – “não atendeis para os meus actos, mas sim para as sábias palavras que profiro”.

Sem margem para qualquer dúvida, a primeira época como atleta de pleno direito, revelou-se de sonho e ainda não descobri o que terei feito, para merecer tamanha felicidade. Títulos nacionais, ibéricos e latinos, em generosas quantidades, uma diversidade de vitórias nas etapas da Taça, acrescido de lideranças em rankings individuais, resultaram numa receita deliciosa, proporcionando uma agradável água na boca, ao imaginarmos o que de positivo, o futuro próximo nos pode ainda reservar. Realmente um palmarés invejável, numa época para mais tarde recordar. Contudo, temos de nos manter atentos, dado que a fasquia subiu para patamares inimagináveis e a concorrência é de particular qualidade.

Para terminar em apoteose, mesmo correndo sérios riscos de perder alguma isenção, mas o momento de euforia assim o exige, permitam-me dar largas ao meu fanatismo de clubite exacerbada…- ”Bibó” glorioso Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos! Somos os maiores caramba! (desfrutemos pelo menos desta época).

Estrelejam foguetes… 

Periodicidade Diária

segunda-feira, 30 de novembro de 2020 – 00:49:13

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