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A Orientação foi às vindimas (II)

O programa estipulava para a segunda jornada, uma “visita guiada” pela zona antiga de Alijó, de preferência em ritmo vertiginoso, com vinte “paragens obrigatórias”, numa distância de 2.200 metros.

Sendo esta, uma localidade com desnível considerável e uma infinidade de vielas, travessas e escadarias, previa-se um sprint exigente, que poderia colocar muita gente em rota de colisão com o mapa. Uma vez mais falhei nas previsões (vou-me dedicar a dar palpites no final). O traçador resolveu facilitar-nos a vida, delineou percursos na parte baixa da vila e ainda nos enviou para a zona urbana mais recente, área que não apresentava qualquer dificuldade de orientação.

Como divulgação e promoção da modalidade, devo aceitar esta opção pela visibilidade que poderia proporcionar; já em termos técnicos, a etapa ficou muito aquém do esperado, pois havia pano para mangas, de maneira a nos oferecer trajectos mais desafiantes. Sobressai a generosa intenção de nos deixarem com um nível de satisfação elevado, vontade de aproveitarmos a tarde dominical para um passeio pelo Douro profundo e admirarmos as soberbas paisagens, classificadas de património mundial, onde se notava a azáfama natural à conclusão das tarefas vindimadoras.

Eu até fui daqueles que dei um giro pelas Quintas do “generoso”, mas ia com uma cabeça que mal cabia no carro, a necessitar de litros de sais de fruto para a azia, pois tinha sido dos poucos (ou único?) que fora apanhado pelo equívoco do “101”, transvertido em “92”. Que mais ainda me irá acontecer na Orientação?

Depois de controlar o ponto 8, rumo em alta velocidade para o seguinte (não se admirem, aproveitei a descida, hehe), situado na esquina dos Bombeiros (o tal “101”) e ao preparar-me para o picar, dou de queixos com o “92” bem escrito na base. Fiquei atónito, totalmente perplexo, que o moral que trazia caiu a pique.

Então começo a movimentar-me de forma estranha, qual “dança da barata tonta”. Espreito na esquina do edifício acima, tento relocalizar-me por um prisma já controlado anteriormente, vou ao ponto 10, volto atrás – ”não pode ser, o ponto tem de ser este” – olho em redor em busca de auxílio divino e quando finalmente me aproximo mais da baliza, leio “101” na parte de cima (minuto e meio para o “galheiro”).

Cena das mais estapafúrdias por que tenho passado, vergonhosamente presenciada por dezenas de companheiros (o ponto ficava em frente às chegadas), que só aconteceu por desatenção, ansiedade aguda que me tolda o discernimento e extrema falta de confiança (um vexame horroroso!). Alguém (detentor de um humor execrável) me comparou a um robot telecomandado, daqueles que andam dum lado para o outro sem destino nenhum. Mas era preciso enganar o “berdadeiro”? Não faço mal a ninguém!

Com excepção deste percalço, a prova correu-me às mil maravilhas, mas fui alvo de uma outra situação, no trajecto para o quinto ponto, que me poderia ter causado um grave trauma psicológico. A extenuante subida para a fonte do ponto 4, provocou-me um acelerar de pulsação e deixou-me de tal maneira transpirado, que ao passar pelo Café “Central” lá do burgo, apanhei uma “boca” dum tipo com “cara de apreciador de martinis antes da missa” – “Olhó velho, também sua pra c…!”. Que raiva…Velho é o avô dele! E eu não suo…verto humidade.

Para esquecer a triste figura que andei a fazer na perseguição do “101” e ultrapassar o atroz sofrimento mental, originado pelo comentário do “ceguinho dos copos”, aceitei o repto da Organização e fui dar uma volta ao Pinhão.

Devidamente refastelado, a observar os barcos rabelos, atasquei (aqui sim, o termo aplica-se na perfeição, hehe) uns cálices de “Ferreira Vintage”, escorregadio como mel, que até me fez estalar o palato, desanuviou a irritação e acelerou a circulação sanguínea, de modo a me sentir operacional para a terceira etapa, que nos convidava a voltar às zonas mais agrestes.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2020 – 02:13:16

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