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Ronda Minhota - (I) Pastando com os garranos

Antes de darmos por concluída uma época excepcionalmente longa (irá terminar lá para depois das férias), tivemos pela frente mais um interessante desafio, nos sempre espectaculares terrenos do Gerês, onde o .COM organizava os seus (e porque não nossos) 4 Dias do Minho.

Com o centro de operações do evento na esmerada vila de Arcos de Valdevez, esta iniciativa congregava várias competições, com a disputa do troféu dos Quatro Dias (só contavam dois), a atribuição dos títulos nacionais de Distância Longa, do Campeonato Nacional de Estafetas por clubes e ainda pelo meio, uma brincadeira para desentorpecer os neurónios, denominada de “Score 100”.

O palco escolhido para a ronda inaugural foi a área limítrofe da Porta do Mezio, uma das cinco entradas para o Parque Nacional Peneda-Gerês. Etapa de distância média (4.100 mts), num terreno recheado de pormenores de vegetação, onde imperavam as arreliadoras “pedrolas”, um relevo acentuado de meter respeito, tudo muito bem recortado por uma profusão de linhas de água (que ajudaram a que eu metesse muita mais).

Um mapa exigente, tanto técnica como fisicamente, mas orientista que se preze, considera-o uma pérola para a modalidade. No que me diz respeito, desconfio que foram oferecidas “pérolas a porcos”, dado que não estive ao melhor nível…ou antes…estive ao melhor nível de um “berdadeiro”.

Com um comportamento a roçar a mediocridade, senti-me algo frustrado por não conseguir desfrutar devidamente de uma área com tamanha qualidade. Resta-me a consolação de ter permanecido em prova o tempo suficiente para decorar todos os recantos e detalhes (segundo uma “invenção” que agora uso para me relembrar as parvoíces, percorri 6.000 metros e trepei 280 em 1.22.19). Dá para perceber que andei a pastar garranos?

Curiosamente, uma manada destes garbosos animais acompanhou-nos em toda a prova, sem darem nas vistas, vigiando com cuidado as nossas movimentações, porque afinal estávamos a invadir os seus domínios. Só aqueles que progrediram em ritmo de “cavalo cansado” (“berdadeiros” e afins), usufruíram do privilégio de privar mais de perto com estes seus “parentes”, porque os mais apressados limitaram-se ao seu eficiente profissionalismo, não sabendo o que perderam.

E lá vou eu bater na mesma tecla. Atasquei apenas em dois pontos e tomei uma opção disparatada para outro (tudo dentro das primeiras cinco pernadas), só que fiquei demasiado exausto para recuperar nas restantes dezoito. Ando a baldar-me aos treinos (o mister que nem sonhe!) e o resultado é esta desgraça - eu bem quero, mas não posso.

No entanto e correndo o risco de proclamar uma atoarda, a minha opinião sobre o mapa não altera um milímetro, pois valorizei imenso a variedade dos detalhes, mesmo aquele malfadado “45”, encaixado numa “pedrola”, que me fez perder mais de cinco minutos – a incompetência não interfere com a qualidade, mas o contrário é bem capaz de ser verdade.

Nada mais adequado para espiar os pecados do primeiro dia, do que voltar ao local do crime e rever a matéria dada. Como tal, resolvi fazer a experiência e participar numa nova etapa no mesmo mapa, com características específicas, fazendo lembrar mais um jogo de estratégia do que propriamente uma prova de orientação. O objectivo constava em controlar o maior número de balizas (28 disponíveis), que tinham pontuação própria, em percurso opcional, num determinado espaço de tempo (que para o meu escalão foram uns exíguos 20 minutos), penalizando por cada minuto em excesso.

A maioria dos pontos tinham igual pontuação, mas havia uns três ou quatro (mais complicados e afastados), que bonificavam o dobro ou triplo. Enfim, um desafio engraçado, percorrendo os mesmos terrenos da véspera, com alguns controlos comuns, mas manifestamente pouco tempo disponível. A penitência das asneiras cometidas na véspera obrigaria a uma maior permanência na floresta e de facto até proporcionaria muito mais gozo. E convenhamos que para um grupo veterano, o “score” poderia e deveria ter sido alargado para o dobro, hehe!

Ainda equacionei a hipótese de picar o máximo de pontos, enquanto me desse na real gana e o limite de tempo que “fosse às malvas”, mas o espírito competitivo veio ao de cima e cumpri religiosamente o regulamento, que é como quem diz, penalizei dois minutos. Corri e suei que me fartei, mas pouco controlei.

E o resultado só não foi pior, porque durante umas dezenas de metros fui perseguido à distância por um garrano de crina desgrenhada (seria uma garrana atrevida?), que das duas uma, ou atraiu-se pelo meu boné ou acompanhava-me simpaticamente no pasto, mas eu na dúvida dei “corda aos bitorinos”, zarpando velozmente para a meta, não fosse ela enervar-se com tanta pasmaceira. 

Periodicidade Diária

segunda-feira, 30 de novembro de 2020 – 01:06:08

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