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(I) - Breve Fantasia

Num glorioso momento de insanidade mental, tomei a irresponsável decisão de me inscrever no World Masters Orienteering Championships, que é como quem diz, o “mundial de experts da orientação em idade madura”. No instante seguinte já sentia uma pontinha de arrependimento (logo após o simular de um orçamento, hehe), ao imaginar a carga de trabalhos em que me tinha metido. No entanto, essa loucura “benigna” tinha vindo para ficar.

Afinal que motivações ou justificações apresenta o “espécie de orientista”, para ter a desfaçatez de se misturar com a nata da orientação mundial? Assim numa primeira análise, só mesmo um tipo desatento ou com alguma impossibilidade do foro pessoal (e se eu posso enumerar umas quantas!) é que não esgotaria as hipóteses de estar presente, numa das maiores festas da orientação a nível mundial, que por alto privilégio foi atribuído a Portugal a sua organização, mais concretamente à região da Marinha Grande.

Este campeonato insere também uma característica especial. Dado o seu cariz popular, existe total abertura a quem quiser participar, o que não deixa de ser um dos aspectos mais positivos deste belo desporto. Se houvesse necessidade de mínimos, o “espécie” jamais teria hipótese de se imiscuir com os “profissionais”, assim, tiveram de levar comigo.

Acresce ainda o relevante pormenor, impensável em qualquer outra modalidade, da Organização ser constituída por elementos de quase todos os clubes federados na FPO. Alguns destes atletas, caso optassem por competir, podiam até ter uma palavra a dizer no aspecto desportivo, mas prevaleceu o sentido patriótico, com o objectivo de conseguirem levar a efeito uma semana inesquecível. O interesse colectivo sobrepôs-se ao pessoal. Perante este cenário, as expectativas organizativas subiram para patamares bem elevados.

No fundo, esta poderia ser, a única oportunidade de estar presente num evento com esta dimensão. Cerca de três mil e seiscentos participantes, oriundos de trinta e nove países e representando os cinco continentes! Acontecimento desportivo, que no nosso país apenas a Gimno-Estrada superou em número de atletas, quase foi ostracizado pela comunicação social (atitude inqualificável, dum “saloiismo” exasperante).

Ignoremos os comportamentos deprimentes e avancemos para a festa. Alguma vez passaria pela cabeça de alguém, vislumbrar o “espécie” a desfilar atrás da bandeira das quinas, pelas artérias da “capital vidreira”, encerrando o desfile dos milhares de atletas estrangeiros, onde pontificava o porta-estandarte da Finlândia, esse dinossauro da Orientação (94 anos!), Erkki Luntamo? Pois deixem que vos diga, pessoalmente foi um momento ímpar de emoção e orgulho, que me fez esquecer os tormentos da soalheira a que estivemos sujeitos.

A partir daqui, quaisquer que fossem os resultados desportivos, nada mais poderia suplantar a honra que senti, por ter participado nesta “original” e improvável representação nacional, ao lado de figuras como Joaquim Sousa, Albano João, José Fernandes, Paula Nóbrega, Manuel Dias, Anabela Vieito (os restantes perdoem a omissão), “prémio” que o “espécie” nada fez por merecer. Obrigado pela oportunidade proporcionada, de por breves momentos, ter vivido a fantasia de pertencer ao mundo dos verdadeiros orientistas.
  

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segunda-feira, 22 de julho de 2019 – 01:41:05

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