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(VI) - Reentrâncias…e ponto final

Eis-nos chegados ao dia de encerramento da romaria em que se transformou este “Master” de nível mundial (o “espécie” misturado com os “mestres” é de rir). Ainda não tinha corrido o pano e já me invadia uma saudade nostálgica, que nem esbocei reacção quando me mandaram para os confins do Pedrógão para estacionar o carro, tal era o meu estado deprimente – “Ok! Tudo numa boa!” – nada a reclamar.

Então, começou a romaria dos atletas em trânsito do parque para a arena, daqui para o start 1 ou 2, do start para o parque, do parque para o start, da arena para...uff! Uma “overdose” de quilómetros, que para alguns deve ter ultrapassado a distância da prova. O constante corrupio dos participantes dum lado para o outro criou um ambiente de festa popular (só faltava o martelinho de S. João, plim!), num bulício colorido e manifestamente desportivo, que no fundo são a essência destes eventos. Ah! Mais um facto positivo a acrescentar a esta situação, a malta enquanto se deslocava, aproveitava para ir fazendo o seu “warm-up” no alcatrão e pronto (que remédio!). Os mais corajosos (onde me incluo) ainda foram experimentar o disponibilizado pela Organização.

De acordo com as minhas incompetentes performances nas eliminatórias, colocaram-me na Final “C”, a dos cansados, cujas partidas faziam parte do Start 2 (o Start 1 estava reservado para a elite), mais próximo dos estacionamentos, de forma a este grupo, que demonstrou variadas insuficiências, não se fatigar demasiado com as deslocações (coitados). E para não terem que ir buscar nenhum à mata, arranjaram um percurso “soft” de 5.900 metros e 17 controlos, num desnível bem “maneirinho”.

Não fazia ideia de como o meu físico iria responder às necessidades, depois de uma semana de provas, com alvoreceres madrugadores e constantes viagens, dado que também estive presente nos “Opens” de Vieira e Pataias a acompanhar a minha mulher. Foi um fartote de orientação, mas tudo devidamente digerido, para não causar “enjoos” futuros (senão nas férias troco a praia por termas, hehe).

Se de algum cansaço sofria, juro que não dei por nada. Inconscientemente, o meu corpo geriu a coisa a preceito e não me permitiu grandes ritmos (a fazer fé nos tempos finais), apesar de ter arrancado com vontade e motivado para feitos gloriosos (hehe), as três pernadas iniciais (cerca de 1.500 mts em terreno para “aceleras”) deitaram-me abaixo o vigor que ainda restava. Pelo menos fui lendo o mapa com algum acerto até ao ponto 4.

Na progressão para o quinto ponto, havia uma passagem (ou paragem?) obrigatória pela “avenida dos bares”. Espantados? Só para quem não esteve lá. A Organização teve o cuidado de instalar sete pontos de água, distribuídos por um quilómetro duma estrada que toda a gente teria de passar mais que uma vez. Ora como os meus amigos bem sabem, estes locais deixam-me sempre desolado, pois “esquecem-se” sistematicamente das “minis” (será propositado?).

Depois como querem que eu tenha excelentes desempenhos? O ponto 5 nem foi complicado, o seguinte é que me atascou uns minutos. Atascar é mesmo o termo. Tomei a pior opção para atacar o desgraçado e levei com umas subidas bem arenosas, que me obrigavam a atolar até aos tornozelos. Claro que ter tracção suficiente para puxar este cabedal, só com água não chega, hehe.

Mas o grande equívoco estava para acontecer. Após me desenvencilhar do ponto 8, passo por mais um local onde servem copos de água (coincidência?) e subo para o controlo seguinte, a escassos cinquenta metros, ao encontro duma reentrância. Mais uma vez sou penalizado por uma “pastorícia”, porque todas as reentrâncias que bati, não tinham qualquer ponto colocado. Ando para ali uns seis, sete minutos à procura, daquilo que na minha óptica não existia. Acabei por picar o ponto num local, que eu não interpreto como reentrância, mas sim um esporão. Bem, admito que possa ser considerada uma reentrância, mas…das pequenininhas!!! Não é a primeira situação do género que me acontece.

Para evitar novas confusões, proponho uma discussão pública (até pode ser no “Prós e Contras”), sob o tema “O porquê da denominação de reentrância, a pormenores de relevo que os “espécies” consideram esporão”. Na minha humilde interpretação, reentrância será sempre um local passível de escorrer água, seja uma linha, um fio, um regato, um ribeiro, um rio ou…o Amazonas. Agora um local, onde qualquer líquido que caia (mesmo cerveja) irá ficar depositado, será? Espero sinceramente que me ajudem neste imbróglio (linha disponível SOS REENTRÂNCIA 999 000 999).

Nada mais haveria para comentar, se o ponto 15 não fosse considerado na sinalética como esporão. – “Ai este é esporão e o 9 que é semelhante não é?”. Ainda fiquei mais arreliado, porque se calhar só mesmo eu tive esta “crise existencial”. Crise a sério ia tendo, mas era de asma (se por acaso sofresse, hehe), com o pó levantado pelo numeroso pelotão de atletas, que se juntaram nos pontos finais.

A zona junto às chegadas, com quantidades de areia que davam para “duas praias”, estava pejada de balizas para todos os escalões, proporcionando um aglomerado de povo a correr em todos os sentidos (interessante para quem observava), mas provocando uma neblina de poeira que aliada ao calor que se fazia sentir, se não mandou nenhum velhinho para o ventilador, foi por milagre e também porque a Organização não merecia semelhante castigo.

Ainda consegui ter ânimo para um sprint à “master” (o que eu adoro este termo!), mas o relógio fez-me regressar à terra. 1:33:35? Oh que pena! Lá vou ser arremessado para os fundos classificativos. Mentira! Mesmo realizando um tempo deste calibre, a prova terá sido mais complicada do que à primeira vista me pareceu e consegui mais de uma dúzia de “espécies” para me tapar as costas. Vá lá!

O “espécie” acaba de escrever uma boa fatia da sua “istória”, mas o momento é o de colocar um ponto final. Semana intensa e espectacular que de certeza irei recordar com saudade. Tentei participar com dignidade, abstraindo-me do peso que uma prova desta envergadura provoca e não dando importância ao fosso que me separava dos restantes companheiros. Objectivo que nem sempre consegui, sobretudo quando confrontado com as duras realidades. Enfim, competi de acordo com as minhas possibilidades e mais não era obrigado.

O resto da “armada lusitana” teve um comportamento meritório, com várias presenças nas finais “A”, tendo inclusive proporcionado uns momentos de algum sonho, com as belíssimas prestações do Joaquim Sousa, que a par da Paula Nóbrega foram os que mais se destacaram. Continuo com imensa pena, de não ver o que Mário Duarte, Santos Sousa, Manuel Luís ou Rui Antunes, poderiam ter alcançado para as cores nacionais. No entanto, estiveram do outro lado da barricada e também com resultados excepcionais.

Sobre a Organização já se disse quase tudo e devo deixar essas análises para os especialistas. As expectativas criadas não saíram goradas e apenas consigo formular um “simplesmente irrepreensível”. Os “Tugas” são os maiores e ponto final! 

Periodicidade Diária

quinta-feira, 18 de julho de 2019 – 17:26:31

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