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Escalada

Acção motriz de ascensão a uma superfície natural (rocha, gelo) ou artificial (Estrutura Artificial de Escalada – EAE - ou edifícios arquitectónicos).
 
Dado o risco inerente queda em altura, a maioria das disciplinas de escalada requerem o uso de Equipamento de Protecção Individual, EPI (corda, arnês, mosquetões, pontos de protecção intermédios ou finais, capacete etc.).
 
Estes protegem na generalidade a queda do escalador, bem como, de outros perigos que possam ameaçar a sua integridade (queda de pedras).
 
Dependendo da disciplina da escalada, a muitos EPI também pode ser utilizado para facilitar a elevação/progressão e/ou permitir o descanso do escalador
 
Escalada Desportiva em Estruturas Artificiais (EA)
 
Em oposição à escalada em rocha, o termo escalada indoor pretende referir-se, geralmente, a escalada realizada em estruturas artifícias (EA) cobertas ou de interior.
 
As duas disciplinas comummente praticadas também em EA são a escalada desportiva e a de bloco.
 
Contudo, é também possível criar "cenários" para a prática e/o treino da escalada artificial, escalada limpa, drytooling e mais recentemente escalada em gelo, através da implementação de placas especiais ou mesmo produção de gelo artificial.
 
Caso a estrutura artificial de escalada possua uma dimensão considerável (possa albergar vários escaladores em simultâneo) um carácter permanente e um acesso público (com ou sem taxa) poderá ser considerada um equipamento desportivo monodisciplinar a que se pode denominar de rocódromo.
 
Escalada em meio natural
 
A escalada em meio natural abrange todas as disciplinas que se desenrolam apenas em rocha.
 
Este termo não define qual a disciplina da escalada, mas sim, que esta se desenrola em meio natural, em oposição às estruturas artificiais.
 
Contudo, há décadas atrás, o termo, escalada em meio natural, era empregue para distinguir a escalada alpina (realizada em altitude) da escalada em meio natural realizada a baixa altitude.
 
Escalada Desportiva (Sport Climbing)
 
Escalada livre sobre rocha ou EAE em que se utilizam protecções fixas intermédias e finais de alta resistência para deter uma possível queda do escalador (pernos, tiges).
 
Também conhecida como escalada de dificuldade, a escalada desportiva realiza-se em vias que possuem geralmente apenas um lance, ou seja, possuem entre 10 a 30 metros de altura.
 
Não obstante, existem também inúmeras vias desportivas de maior altura, inclusive ultrapassando as centenas de metros.
 
Para evitar a queda no solo e realizar manobras de descida torna-se indispensável o uso de equipamento de protecção individual (corda, arnês, mosquetões, etc.)
 
Na escalada desportiva busca-se alcançar uma grande dificuldade, sempre com o máximo segurança.
 
Contudo, a dificuldade do passe chave será inevitavelmente inferior ao realizado ao nível do solo, ou seja, comparando com os problemas de bloco.
 
A escala de graduação inicia-se em IV (baixa dificuldade) e termina actualmente em 9a+ (extrema dificuldade).
Embora semelhantes, as escalas de graduação da escalada desportiva e de bloco (Fontainebleau) diferem na dificuldade efectiva que cada grau representa.
 
Um 7b de via representa apenas um 6b de bloco.
 
Foi na década de 80, em França, que surgiu a escalada desportiva, com a aplicação pela primeira vez da primeira protecção permanente o Spit e a aplicação da numeração árabe para cotar as vias de dificuldade acima do V+. 
 
Escalada Clássica (Trad Climbing)
 
Escalada de vias em rocha, geralmente com mais de um largo e sem qualquer equipamento permanente ao longo de toda a sua extensão (spits, pernos, "tiges").
 
Os pitons, entaladores passivos e activos, pontes e promontórios de rocha são utilizados como pontos intermédios e finais de segurança.
 
Normalmente estas vias possuem um baixo grau de dificuldade.
 
Para evitar a queda no solo e realizar manobras de descida torna-se indispensável o uso de equipamento de protecção individual (corda, arnês, mosquetões, etc.)
 
A escala de graduação inicia-se em I (pouco difícil) e termina geralmente, em V ou V+ (mais difícil).
 
A escalada é realizada em livre, podendo ter algumas passagens em artificial.
 
Escalada Artificial (Aid Climbing)
 
Forma de progressão na escalada em rocha em que se utiliza as protecções fixas ou móveis para que o escalador se possa elevar/deslocar (quando a passagem em livre é impossível) ou suportar estaticamente o seu peso.
 
É claramente uma disciplina que torna o tempo de subida bastante moroso.
 
Para evitar a queda no solo e realizar manobras de descida torna-se indispensável o uso de equipamento de protecção individual (corda, arnês, mosquetões, etc.)
 
Alguns EPI foram exclusivamente criados para esta forma de progressão (vários tipos de micropitons, copperheads "unhas" e ganchos).
 
O Estribo (pequena escada de fita com 3 a 5 degraus) é a peça de equipamento mais característica.
 
A escala de graduação da dificuldade inicia-se em A0 (pouco difícil) e termina em A6 (extremamente difícil) - (Lê-se À zero e À seis respectivamente).
 
A primeira via de A6 a ser realizada tem uma extensão de 300m e levou 9 dias a concluir.
 
Escalada Limpa (Clean Climbing)
 
Escalada livre em que apenas se utilizam como pontos intermédias e finais de segurança, protecções móveis que não danificam a rocha.
 
Estas protecções, apenas possíveis de utilizar/colocar em fendas e certas rugosidades da rocha dividem-se em duas grandes categorias: entaladores passivos - pequenas cunhas metálicas de várias métricas unidas por um cabo ou cordeleta) e entaladores mecânicos – Friends de quatro ou três cams*).
 
Todas estas peças, apesar de um pouco menos fiáveis que os pitons, não danificam a rocha e são mais rápidas de colocar e extrair da rocha.
 
O Friend foi inventado por Ray Jardine, inicialmente engenheiro aeroespacial, que viria a dedicar toda a sua vida ao mundo da escalada.
 
As razões para a prática da escalada limpa, podem ser de carácter ecológico, como de satisfação pessoal, utilizando o mais puro sistema de protecção, inclusive, existem escaladores que renunciam ao uso de magnésio.
 
Esta "filosofia" de escalada surgiu no início dos anos 70 no vale de Yosemite nos EUA.
 
*Peça instalada sobre um eixo, que num mecanismo, transforma o movimento de rotação em movimento de vaivém. Existe um modelo de friend bastante versátil (Camalots) que utiliza dois eixos de cams.
 
Escalada de Grandes Paredes(Big Wall Climbing)
 
Escalada de grandes vias existentes em colossais monólitos de rocha.
 
Pode considera-se uma via de BigWall toda aquela vertente rochosa que possua 500 ou mais metros de altura.
 
Normalmente é necessário conjugar largos ou passos de escalada livre com escalada artificial.
 
O bivaque suspenso, de uma ou mais dias, é uma exigência dependendo da extensão da via e/ou experiência da cordada.
 
O número, diversidade de equipamento, domínio de técnicas de progressão e uma boa logística para autonomia é indispensável para o sucesso da ascensão.
 
A graduação para a escalada de Big Wall é a utilizada para a escalada livre e artificial, contudo, existe uma escala americana que gradua também a envergadura da via IV (via de vários largos) até VII (via de grande extensão e dificuldade, localizada em local remoto).
 
Pode considerar-se 1957 e 1958 os anos do nascimento do Big Wall após a realização da via The Nose, no mítico El Capitan, no vale de Yosemite, EUA. 
 
Escalada em Solitário(Solo Climbing)
 
Escalada em livre e/ou artificial com segurança autónoma (sem a utilização de companheiro de segurança).
 
A sua prática exige um elevado nível de conhecimento no domínio de EPI concebidos especificamente para esta disciplina (Silent Partner, Soloist, Solo Aid) de técnicas de subida e descida por corda fixa, bem como uma elevada motivação, grande capacidade de tolerância ao esforço físico e ao ambiente de isolamento.
 
Possui um elevado compromisso, já que o escalador se vale apenas a si próprio.
 
Desenrola-se geralmente sobre grandes paredes, sendo por vezes necessário pernoitar em pleno itinerário.
 
É uma disciplina apenas recomendada a escaladores muito experientes.
 
Escalada de Bloco (Bouldering)
 
Escalada livre sobre pequenos blocos de rocha.
 
Devido à grande proximidade com solo 3, 4 metros, não é necessário utilizar qualquer EPI para evitar a queda, já que o escalador pode saltar com uma relativa segurança para o chão.
 
Os pés de gato e o saco de magnésio são os únicos equipamentos a utilizar durante a progressão.
 
Para amortecer a recepção no solo utiliza-se geralmente um pequeno colchão de queda especialmente concebido para esta disciplina (crashpad).
 
Caso exista a possibilidade do escalador poder vir a sofrer uma possível queda desamparada, esta muito frequente de ocorrer nos movimentos mais extremos, o escalador deve ser auxiliado por um companheiro, guarda costas, que o proteja/guie para uma posição/local de aterragem mais seguro.
 
Existem duas principais escalas de graduação utilizadas em todo o mundo, a americana, de Hueco Tanks que se inicia em VB (para principiantes) até V15 (nível extremo de dificuldade) até e a mais conhecida a de Fontainebleau, França, que se inicia em 4a (mais fácil) e termina actualmente em 8c (mais difícil).
 
De entre de todas as disciplinas da escalada é na escalada de bloco onde se realizam os movimentos em livre onde é necessário aplicar uma maior força e potência (problemas de bloco).
 
A escalada de bloco, como disciplina independente surgiu nos EUA nos 50 anos pela mão do Americano John Gill.
 
Escalada em Solo Integral (Solo)
 
Escalada livre sem qualquer equipamento de protecção individual (EPI).
 
Por existir uma relevante progressão vertical 15, 30 100, 200m, em caso de queda a morte do escalador será inevitável.
 
Não confundir com escalada de bloco, que se realiza apenas a escassos metros do solo.
 
Devido à clara exposição à morte a escalada em solo integral não deve ser realizada, inclusive por escaladores de nível elevado.
 
Escalada em Gelo (Ice Climbing)
 
Escalada sobre pendentes fortes de gelo ou neve dura, onde se aplica a técnica de piolet tracção em conjunto com crampons de 12 pontas.
 
Dado a existência do elemento água no estado sólido, a sua prática desenrola-se no Inverno em regiões de montanha ou áreas geladas.
 
Para uma prática segura exige-se ter consideráveis conhecimentos sobre a utilização de EPI específicos para utilizar neste meio (corda dupla, pitons de gelo, mecanismos dissipadores) mas também, conhecimento das características de gelo, metrologia, salvamento em montanha, etc.
 
Na escalada em gelo a temperatura tem um efeito determinante.
 
A escala de graduação da dificuldade avalia o grau de compromisso I (baixo) até VII (elevado) e a componente técnica, 1 (baixo) até 8 (elevado).
 
A estas graduações pode ser adicionado letras que permitem melhor caracterizar a dificuldade de uma determinada via.
 
Exemplo: X: risco de derrubamentos, estrutura frágil, R: gelo escasso, troços delicados, A graduação númerica verá precedida por WI (Water Ice) para as cascatas de gelo; AI (Aplin Ice) para gelo alpino e M secções mistas frequentes, ou que o passo mais difícil encontra-se sobre terreno misto ou Drytooling.
 
Apenas se considera que o escalador (cascadista) realizou em livre uma via, caso este não se tenha pendurado nas protecções intermédias ou pilotes para descansar ou progredir.
 
Escalada Livre (Free Climbing)
 
Estilo de escalada em que apenas se utiliza as extremidades corporais sobre a superfície de escalada para executar o movimento de ascensão, quer seja em rocha quer seja em EAE.
 
Escalada Livre não significa ausência de EPI, mas sim, não utilização de equipamento que facilite o movimento de progressão ou descanso do escalador.
 
O estilo mais puro de progressão, é o oposto da escalada artificial.
 
Escalada Mista (Mixed Climbing)
 
Escalada que decorre sobre troços de gelo alternado com passagens de rocha.
 
É uma prática que exige a aplicação de técnicas e EPI  de escalada em gelo/cascatas (piolets, crampons, pitons de gelo e rocha, etc.).
 
Escalada de Drytooling
 
Escalada em rocha recorrendo ao uso de piolets e crampons, "ferramentas" inicialmente concebidas apenas para a escalada em gelo.
 
A palavra define assim o uso de "ferramenta em seco" ou seja, sem o contacto com o gelo.
 
O surgimento desta forma de escalada ocorreu nos EUA em 1994, por Jeff Lowe com a realização de Octupussy a primeira via de graduação M8.
 
Considera-se que o escalador realizou a via em pleno quando este não utiliza qualquer protecção intermédia para descansar ou progredir.
 
A graduação é a mesma que a escalada clássica, e se existe a presença de gelo adiciona-se a letra M.
 
Caso o passo chave se encontre em rocha a dificuldade pode ir de 1 (baixa dificuldade) a até 10 (alta dificuldade).
 
Recentemente o treino para esta disciplina também pode ser realizado em estruturas artificias de escalada, contudo é necessário fazer algumas pequenas adaptações/alterações no piolet
 
Escalada de Competição
 
Embora inicialmente as primeiras competições se realizassem em rocha, actualmente, todas elas mundiais, nacionais e regionais, realizam-se em estruturas artificiais de escalada.
 
No que se refere à escalada livre existem 3 tipos de competições de escalada – Dificuldade, Velocidade e Bloco.
 
Competição de Dificuldade
 
Na competição de dificuldadecada competidor escala individualmente desconhecendo previamente a via e realizando-a à frente, não podendo cair uma única vez.
 
Vence o competidor que tenha conseguido alcançar o topo ou chegado mais alto na via da última prova.
 
Competição de Velocidade(muito praticada nos países de leste)
 
Embora mais espectacular para o público, é menos exigente tecnicamente que a competição de dificuldade e bloco.
 
Realiza-se em top rope e aos pares, pretendendo-se achar o escalador que atinge mais rápido, após várias eliminatórias, o topo da via.
 
Competição de Bloco
 
Actualmente a escalada de bloco tem vindo a ter um cada vez maior número de praticantes e as competições são cada vez são mais frequentes.
 
Nas competições de bloco dispõem-se vários problemas isolados, onde cada escalador possui um determinado tempo para observar e tentar resolve-lo.
 
Mesmo que caia, o escalador possui mais tentativas (limitadas).
 
Vence aquele que conseguir realizar o maior número de problemas e em menos tentativas.
 
Em 1999 a escalada de bloco foi considerada como uma disciplina desportiva e com um circuito de taça do mundo

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terça-feira, 10 de dezembro de 2019 – 13:14:08

 

 
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