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Zurique-2014: balanço nacional das provas de marcha

Depois do rescaldo internacional ontem publicado, «O Marchador» apresenta hoje o balanço da participação portuguesa nas provas de marcha dos 22.os Campeonatos da Europa de Atletismo, realizados em Zurique, na Suíça. Este balanço assenta na análise breve do desempenho de cada atleta e na inserção dessas prestações no historial da presença dos marchadores portugueses em campeonatos europeus, iniciada em 1982, com a participação de José Pinto nos 20 km dos europeus de Atenas (14.º, 1.34.19).
 
 
13 de Agosto, 20 km masculinos
 
 
Foi pouco eufórica a participação portuguesa nos 20 km masculinos destes europeus. Com a representação a cargo dos gémeos Vieira, Portugal sabia que dificilmente João Vieira poderia repetir as façanhas de Gotemburgo-2006 e Barcelona-2010, quando alcançou o pódio e correspondentes duas medalhas. Lesionado desde há muitas semanas e mesmo sabendo-se que do marchador do Sporting pode a qualquer momento surgir uma surpresa, era baixa a expectativa para esta quinta presença, logo confirmada com a desistência nas voltas iniciais ao percurso de mil metros. Igual destino teria Sérgio Vieira, ainda que a meio da prova estivesse relativamente bem classificado (14.º aos 10 km), com os primeiros à vista. Também à vista esteve uma clara melhoria na classificação e na marca obtidas há quatro anos em Barcelona, mas tudo foi por água abaixo na segunda metade da prova, com a pouco previsível desistência. De positivo da presença portuguesa nesta prova fica o facto de João Vieira ter atingido as cinco participações em campeonatos da Europa de atletismo.
 
 
Nas anteriores quatro presenças de João Vieira e uma de Sérgio Vieira, nunca nenhum dos irmãos tinha desistido ou sido desclassificado. As classificações variavam entre o segundo lugar de João Vieira em Barcelona-2010 e o 20.º posto de João e Sérgio, respectivamente em Budapeste-1998 e Barcelona-2010. O histórico da participação de Portugal nos 20 km marcha dos europeus de atletismo registava até aqui apenas uma desistência, quando, em Split-1990, José Pinto abandonou a prova.
 
 
Em todo o caso, João Vieira mantém não apenas a melhor classificação dos portugueses nesta prova (2.º lugar em Barcelona-2010), mas também a melhor marca aí obtida: 1.20.09 h, quando em Gotemburgo-2006 foi terceiro.
 
 
14 de Agosto, 20 km femininos
 
 
Bastante mais positivo foi o desempenho das raparigas portuguesas nos 20 km femininos. Ana Cabecinha esteve na luta pelos primeiros lugares até perto do final, terminando na sexta posição, enquanto Inês Henriques, com uma segunda meia prova para esquecer, acabou no 13.º lugar. Ambas tinham este ano resultados mais expressivos obtidos na Taça do Mundo de Taicang, mas ainda não foi desta vez que conseguiram juntar-se a Susana Feitor como portuguesas medalhadas em grandes competições individuais.
 
 
Ao registar a segunda presença em europeus, Ana Cabecinha alcançou uma classificação que representou um progresso de dois lugares em relação a Barcelona-2010 (de 8.ª para 6.ª), ao mesmo tempo que retirava nada menos que três minutos e oito segundos à marca aí registada, obtendo em Zurique 1.28.40 h. Por sua vez, Inês Henriques, mesmo fazendo a segunda pior classificação em quatro presenças (fora 15.ª em Munique-2002, 12.ª em Gotemburgo-2006 e 9.ª em Barcelona-2010), concluiu a prova da semana passada com a sua melhor marca de sempre em europeus: 1.31.32 h (antes tinha 1.31.58, de 2006).
 
 
As ausentes Susana Feitor e Vera Santos continuam a ser as melhores classificadas de sempre entre as marchadoras portuguesas em europeus de atletismo. Susana foi terceira no último ano em que a distância da prova feminina foi de 10 km (Budapeste-1998, com 42.55); Vera terminou em sexto lugar os 20 km de Barcelona-2010, mas foi em Gotemburgo-2006 que teve o melhor registo (1.30.41, para o 8.º lugar).
 
 
15 de Agosto, 50 km
 
 
 
Também aqui a representação portuguesa ficou aquém das expectativas. Pedro Isidro, o único atleta luso em prova, cumpriu bem nas primeiras léguas, com tempos parciais que até cerca dos 20 quilómetros apontavam para recorde pessoal. Depois, surgiram os velhos problemas do sistema digestivo e tudo se deitou a perder. Regra geral, o marchador do Benfica tem saído das chamadas à selecção nacional com desempenhos positivos, apesar de nalguns casos os resultados terem sido prejudicados por situações como esta experimentada em Zurique. Só que desta vez as consequências foram mais negativas e o penúltimo lugar final (25.º) correspondeu a tudo menos ao que podia antever-se como desempenho de Pedro Isidro na sua estreia em campeonatos da Europa.
 
 
Na globalidade das presenças portuguesas nas provas de marcha de europeus de atletismo, Portugal nunca tinha ficado atrás do 24.º posto, ficando Pedro Isidro com uma espécie de prémio-limão para a presença em Zurique (isto, naturalmente, não contando com as cinco desistências no total das dez participações anteriores em 50 km, mais duas em 20 km no passado e duas nos 20 km deste ano).
 
 
Historicamente, a melhor classificação de portugueses na distância longa foi obtida por Augusto Cardoso em Barcelona-2010: 14.º lugar. O seu treinador de tantos anos, José Magalhães, permanece com o autor da melhor marca, a única que Portugal registou abaixo de quatro horas em campeonatos da Europa: 3.59.46 h, no 17.º lugar de Budapeste-1998.
 
 
Conclusão
 
 
No plano nacional, estes campeonatos tiveram desfechos desequilibrados, de que se aproveitaram os resultados nos 20 km femininos, em especial o lugar de finalista de Ana Cabecinha. Mas de tudo sobra ainda a nuvem negra da não selecção de Susana Feitor após a lesão de Vera Santos, mancha que o tempo também não apagará da história da participação de Portugal nos europeus de Zurique.
 
 
Em 2018, os próximos europeus de atletismo com provas de marcha terão lugar em Berlim. Nos quatro anos que hão-de passar até lá, muitas mudanças deverão acontecer na marcha portuguesa. Fica a expectativa de saber quantos destes cinco marchadores que estiveram em Zurique vão competir na capital alemã. E quantos outros, mais jovens, conseguirão seguir-lhes as pisadas.


Para finalizar, três curiosidades estatísticas. A primeira para assinalar que as edições de Munique-2002, Gotemburgo-2006 e Barcelona-2010 foram as que registaram maior número de marchadores portugueses - sete (em nove possíveis). A segunda para recordar que o pioneiro José Pinto permanece como o único marchador português a ter competido nas duas distâncias dos masculinos numa mesma edição dos campeonatos da Europa: em Split-1990 (infelizmente, ambas saldadas por desistência). Por fim, a terceira para seguir as contas do jornalista Arons de Carvalho e constatar que lista de internacionalizações de portugueses em campeonatos europeus de atletismo é liderada por Fernanda Ribeiro (seis participações), seguida pelos marchadores João Vieira (5), Susana Feitor (4, que deveriam ser 5) e Inês Henriques (4) e ainda pela corredora Ana Dias (4). E estaria a faltar aqui o nome de Vera Santos, se a lesão não tivesse obrigado a ficar-se, por agora, pelas três presenças.
 
 
O Marchador

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sábado, 20 de julho de 2019 – 23:03:07

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