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Olímpico Jovem em triste aniversário

O 31.º Torneio Olímpico Jovem, que este fim-de-semana tem lugar em Fátima, assinala 30 anos sobre a criação deste acontecimento histórico que todos os anos tem lugar, por iniciativa da Federação Portuguesa de Atletismo. Criado em 1983, começou por resultar da parceria entre a FPA e o jornal «Diário de Notícias» (DN), razão da designação inicial Torneio Nacional DN Jovem.
 
Mais tarde, o Comité Olímpico de Portugal assumiu o lugar do DN, passando o projecto a ter o nome de Torneio Olímpico Jovem, que mantém na actualidade. Era uma forma de associar de forma mais evidente uma actividade competitiva de uma federação aos princípios éticos universais associados ao movimento olímpico.
 
Torneio destinado a atletas iniciados e juvenis, a edição deste ano inclui no programa as provas de marcha de 5000 metros para juvenis masculinos e femininos. No entanto, os iniciados não terão provas de marcha para disputar. É assim desde 2004: num ano não há marcha para iniciados, no outro não há marcha para juvenis. E também desde 2004 se tem denunciado este procedimento, que cria uma situação de inegável discriminação.
 
Sempre se tem lembrado que este procedimento está em contradição com a prática universalizada no atletismo de criar situações de igualdade, através, por exemplo, da equiparação de provas programadas para masculinos e femininos. Longe vão os tempos em que as mulheres não podiam correr maratonas, nem lançar martelo, nem fazer triplo salto, nem correr obstáculos. A tendência do atletismo mundial é de igualizar o que for igualizável.
 
Mas o dito procedimento discriminatório está em contradição também com o espírito do olimpismo, assente na integração, na não discriminação negativa, na criação de condições de igualdade. O mesmo é dizer que a prática adoptada pela FPA no Torneio Olímpico Jovem, no que à marcha diz respeito, não está de acordo nem com o procedimento do mundo da modalidade nem com os princípios e valores defendidos pela entidade parceira da federação neste torneio.
 
Convirá lembrar que, não afectando apenas a marcha atlética, a alternância de provas de ano para ano só no caso da marcha leva a que todos os anos haja um escalão impedido de competir nesta especialidade. Ao contrário, nas outras especialidades há sempre provas alternativas, situação impossível na marcha, que tem apenas uma prova por escalão e por sexo. Se se retira essa prova, não sobre nenhuma.
 
Tendo em conta a existência de nova equipa e, por isso, nova mentalidade na direcção da FPA, estão criadas as condições para que esta seja a última vez que a marcha atlética é objecto de uma atitude discriminatória que claramente prejudica o princípio da igualdade e retira aos jovens marchadores a oportunidade de competir num torneio que ao longo dos anos evidenciou nomes de especialistas que, já adultos, vieram a tornar-se referências no panorama atlético nacional e internacional. 
 
O Marchador

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segunda-feira, 18 de novembro de 2019 – 19:06:36

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