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A Liga MEO Surf tem de ser um objetivo para quem quer chegar longe no surf

 

A dias do arranque do Bom Petisco Cascais Pro, derradeira etapa da Liga MEO Surf, os melhores surfistas nacionais começam a ultimar detalhes para aquela que será a prova de todas as decisões. Em Cascais, entre os dias 14 e 16 deste mês, será decidido não apenas o campeão nacional de 2017 como também o ranking final de todos os competidores da Liga, sendo por isso a prova onde objetivos e realidade se encontram ou não.
 
Mais ou menos visíveis na praia, interventivos ou discretos, técnicos e psicólogos, os treinadores de surf são um alicerce importante no sucesso de grande parte dos surfistas de topo da Liga, sendo por isso marcante e essencial a sua presença na Liga.
 
Carol Henrique, recentemente coroada bicampeã nacional, tem no seu campo de treino Rodrigo Sousa, ex-competidor da Liga. Os dois títulos nacionais consecutivos e múltiplas vitórias, são prova da parceria de sucesso. “Neste momento, espero da Carol mais do que vencer na Liga. Agora, os objetivos são internacionais, além-fronteiras” explica o treinador, que tem ainda sob sua alçada surfistas como Pedro Coelho, Mariana Garcia, entre outros, todos eles com “os seus objetivos individuais” aponta.
 
José Seabra, treinador de Vasco Ribeiro, líder do ranking da Liga, e Miguel Blanco, candidato ao título deste ano, está satisfeito com a forma como está a correr a aproximação aos objetivos estabelecidos. “Está a correr bem: o Miguel, mesmo não tendo participado em todas as etapas, vai terminar o ano como candidato e fez duas finais consecutivas.  O Vasco, é sempre um favorito ao título nacional, uma vez que já o ganhou três vezes, pelo que é o curso natural que esteja novamente na disputa e, mais ainda, tendo em conta que vale o wildcard para o MEO Rip Curl Pro Portugal” considera o treinador, que trabalha ainda com Nicolau von Rupp e Alex Botelho.
 
Adaptação de objetivos à realidade dos surfistas é nota comum a vários treinadores. Pedro Simão, treinador da Selecção Nacional de surf e diversos atletas, explica isso mesmo. “A maior parte dos miúdos que treino são muito novos, pelo que estamos na fase da experiência. Eles estão contentes, gostaram e querem continuar para o ano. Mas não faz sentido ter objetivos concretos. Ainda assim, a Mafalda Lopes, que é campeã europeia sub-18, é alguém que tem objetivos maiores e o que conseguiu este ano está dentro do estabelecido”. Experiência e uma aproximação à Liga, é também o objetivo do grupo de atletas orientado por Nuno Telmo: “Neste momento, temos poucos atletas “mais velhos”. Voltámos a apostar numa geração mais nova. Ainda assim, cada um tem os seus objetivos individuais, que vão cumprindo mais ou menos dentro do previsto”.
 
Enrique Lenzano, treinador de Tomás Fernandes, Luís Perloiro e Jácome Correia, segue na mesma linha dos seus colegas de profissão. “A Liga foi encarada como um momento de treino, não estava dentro dos objetivos primários do Tomás, Luís ou Jácome. Sempre que estivessem cá, era um excelente momento e oportunidade de treino. Estamos a desenvolver um trabalho até 2020 e ainda temos três anos pela frente. Neste prazo, o título de campeão nacional é um objetivo” refere.
 
Estando na frente daquilo que é carreira de um surfista profissional, estes treinadores sabem bem quais as dificuldades com que os seus alunos se deparam. A resposta não é única, antes várias. “No caso daqueles que treino, diria que o maior desafio é serem consistentes. Serem capazes de fazer as mesmas boas notas, por exemplo, tanto numa etapa do WQS como na Liga MEO Surf. Se, na Liga, encontrarem um Vasco Ribeiro ou o Miguel Blanco, o nível é basicamente o mesmo que lá fora. O principal objetivo é, portanto, neles próprios” aponta Rodrigo Sousa. Já Enrique Lenzano, fala do conforto de casa: “Há boas ondas e a comida é boa. Como viajam muito, começam a valorizar mais o que têm em casa. Acaba por influenciar a carreira. Depois, a consistência. Os surfistas portugueses têm momentos brilhantes, mas por vezes são oito e oitenta, não conseguem manter esses picos de forma”.
 
Já José Seabra encontra na cultura portuguesa o maior desafio dos atletas portugueses. “Temos uma cultura pouco vencedora e com poucos atletas que conseguem vingar a nível mundial. O Tiago Pires fez um bom trabalho, o Frederico Morais está a continuar esse bom trabalho, mas mesmo assim somos poucos. Esta é a grande diferença para as grandes potências. Eles são muitos, mas também apontam a objetivos mais altos que os nossos. O português contenta-se com pouco, qualquer coisa é motivo de comemoração. A solução é não nos contentarmos com pouco: aceitar um desafio maior, que o WQS não seja o objetivo e sim o World Tour e, lá, o título mundial. É querermos mais, ter mais ambição!” desafia.
 
Por sua vez, Pedro Simão, explica que sem patrocínios e apoios, “é muito difícil”. “Em termos de apoios e patrocínio, têm diminuído imenso. Quando competia, por exemplo, chegava às meias-finais e tinha um apoio que me pagava as inscrições. Neste momento, tens de reunir uma série de condições ao mesmo tempo. É evidente que, para aqueles que são de topo, elite, há. Mas, para os outros, não há. Em Espanha e França, não é assim, e eles não são mais talentosos que nós. Tudo isto torna o surf num desporto mais de elite e não era preciso porque a praia está à frente de todos” lamenta. É neste contexto que o apoio da família aparece como sendo essencial, numa opinião partilhada com Nuno Telmo: “Muitos dos apoios que existem são as famílias que fazem. Os que conseguem ter patrocínios à séria, para ir mais longe, são os muito bons. Antigamente, os muito bons tinham [patrocínio], os bons tinham e pouco mais. Hoje em dia, só os muito bons conseguem ter uma estrutura forte para ir longe. Quem tiver dinheiro, vai evoluir bastante. Quem depender dos patrocínios, ou é realmente muito bom ou então vai ser difícil acompanhar. É um desafio que as novas gerações já vão apanhar”.
 
Se por um lado faltam apoios, modelos de surfistas a seguir não faltam. Frederico Morais, surfista do circuito mundial de surf da World Surf League (WSL), e Vasco Ribeiro, ex-campeão mundial júnior de surf da WSL, surgem como surfistas com carreiras exemplares que inspiram os mais novos. “Chegar ao nível do Vasco ou Frederico é um desafio, mas é também muito encorajador, incentivante. São surfistas que eles veem, com quem falam. É um sucesso mais palpável, não são estrelas que só veem na televisão ou internet. São um produto português e que está perto das gerações mais novas de surfistas portugueses” explica Lenzano, acrescentando que alcançar o que os dois surfistas alcançaram “é muito difícil”. Pedro Simão diz mesmo que são dois surfistas “especiais”.
 
Rodrigo Sousa corrobora a opinião dos colegas de profissão. “É um desafio e é preciso aliar muitas coisas: talento, trabalho, horas na água, acompanhamento, tecnologias de treino... As exigências são cada vez maiores. Os desafios são vários, não se pode apontar apenas um” e, neste contexto, o treinador refere a Liga como objetivo máximo dentro de “casa”, dizendo mesmo que “quem compete lá fora, não pode ter outro objetivo que não seja apontar aos títulos nacionais”.
 
Nuno Telmo concorda: “A Liga MEO Surf tem de ser um objetivo para quem que chegar longe no surf, sobretudo paras as gerações mais novas. São naqueles heats que eles aprendem a competir mais à séria com atletas mais velhos. É uma boa preparação para os surfistas que querem atacar o WQS. Temos atletas a competir na Liga que têm um nível altíssimo. Para os miúdos, acaba por abrir-lhes os olhos e fazer com que queiram evoluir para se debater com os mais velhos”.
 
José Seabra, concorda e enquadra o papel da principal competição nacional de surf no âmbito dos surfistas que treina. “A Liga é um campeonato importante na medida em que é um bom treino para o circuito WQS, que é onde a maior parte dos atletas que treino competem. A Liga é bem organizada e tem uma competitividade muito elevada. Quando não choca com o calendário internacional, é uma prioridade. Espero que os meus atletas tenham bons resultados e cumpram os objetivos, evoluindo à sua maneira. A Liga está sempre presente, é um circuito espetacular!”.
 
Gerações mais novas e mais velhos do surf nacional têm encontro marcado já esta quinta-feira na praia do Guincho, em Cascais, no Bom Petisco Cascais Pro.
 
Para além da competição principal, o Bom Petisco Cascais Pro tem ainda em disputa o Cascais Best Surfer, a Renault Expression Session, a Somersby Onda do Outro Mundo, o Moche Groms Cup (uma iniciativa da FPS e ANS), o MEO Rip Curl Fantasy, e o Canon Workshop de Fotografia de Surf com Ricardo Bravo. A premiação global da Liga MEO Surf 2017 é de 90.000€.

Todas as etapas da Liga MEO Surf têm transmissão em directo em www.ligameosurf.pt, no MEO Kanal 202020, e no canal televisivo MCS Extreme, juntando-se ainda os programas diários e de resumo na SIC Radical e Bola TV. As plataformas oficiais são os meios institucionais da Associação Nacional de Surfistas através do seu portal www.ansurfistas.com e as redes sociais em @ansurfistas.
 
A Liga MEO Surf 2017 e o Bom Petisco Cascais Pro são uma organização da Associação Nacional de Surfistas e da Fire!, com o patrocínio do MEO, Bom Petisco, Allianz Seguros, Renault, Somersby, Moche e Rip Curl, o apoio local da Câmara Municipal de Cascais, os parceiros oficiais SIC e Cidade FM, os media partners A Bola, Diário de Notícias, Jornal I, MCS Extreme, Onfire, Surftotal e MEO Beachcam, e o apoio técnico da Federação Portuguesa de Surf e do Clube Recreativo e Cultural Quinta dos Lombos.

 

 


 

terça-feira, 21 de novembro de 2017 – 06:20:35

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