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Voleibol de Praia - Europeu de Sub-23: apresentação das duplas portuguesas

Está tudo preparado para o estádio montado na praia adjacente ao Edifício Transparente, no Porto, receber, de 4 a 7 de Agosto, o Campeonato da Europa de Sub-23, masculinos e femininos, em Voleibol de Praia, organizado pela Federação Portuguesa de Voleibol (FPV) e pela Câmara Municipal do Porto – através da empresa municipal Porto Lazer –, sob a égide da Confederação Europeia de Voleibol (CEV).
  
  Esta é a terceira edição do Europeu de Sub-23 organizada em Portugal: em 2001, realizou-se em Esposende e teve como vencedora a dupla lusa José Pedrosa/José Teixeira; em 2008, em Espinho, os polacos Gzergorz Fijalek e Mariusz Prudel e as russas Maria Bratkova e Evgenia Ukolova sagraram-se campeões europeus.
 
 24 das melhores duplas europeias, que o mesmo é dizer mundiais, umas promessas e outras já certezas do Voleibol internacional, vão disputar na Fase Preliminar do Quadro Principal o acesso à Fase Final de Dupla Eliminatória, a disputar pelas melhores 16 equipas da Fase Preliminar de ambos os géneros.
  Seis grupos de quatro equipas jogarão no sistema de «todos contra todos» a uma volta na Fase Preliminar para apurar as 16 equipas que avançam para a Fase Final (16 avos-de-final): as 2 primeiras equipas de cada grupo mais as 4 melhores de todas as 3.ªs classificadas.
  
  Uma excelente oportunidade para as duplas portuguesas, sobretudo para as oriundas dos Centros de Alto Nível de Voleibol de Praia, que no ano passado participaram no Mundial de Sub-19 e no Europeu de Sub-18, realizados no Edifício Transparente, conseguindo a medalha de prata europeia em femininos por intermédio da dupla Joana Neto/Mariana Filipe.
 
 Nos masculinos, os grandes adversários a bater são os campeoníssimos Michal Kadziola e Jakub Szalankiewicz. As vitórias no Mundial de Sub-19 (2007), do Mundial de Juniores (2009) e do Europeu de Sub-23 (2010), a par de outras honrosas classificações tanto em competições de jovens como do Circuito Mundial de seniores, fazem dos polacos a dupla mais credenciada presente no Edifício Transparente.
 
 Mas a concorrência a estas duas estrelas do Voleibol de Praia também é de peso…
 
 O russo Ruslan Bykanov foi vice-campeão mundial de Sub-19 em 2009 e tem falhado por pouco o pódio noutras provas, coleccionando 4.ºs lugares – Mundial de Juniores em 2010, Europeu Sub-20 em 2010 e Europeu Sub-18 em 2009 – e 5.ºs lugares (Mundial Sub-19 em 2010 e Europeu Sub-20, este disputado na semana passada).
 Os austríacos Lorenz Petutschnig e Christoph Dressler, ambos de 18 anos, estão de regresso ao Porto e trazem na bagagem, entre outros resultados, um 4.º lugar no Europeu de Sub-18 e um 5.º lugar no Mundial de Sub-19, competições realizadas no Edifício Transparente em 2010, bem como o 7.º lugar no último Europeu Sub-20.
 As duplas russa e austríaca, bem como a alemã formada por Malte Stiel (vice-campeão mundial de Sub-19 em 2007) e Armin Dollinger, 4.ªs classificadas na última edição do Europeu de Sub-23, constituirão, porventura, os obstáculos às ambições de Kadziola/ Szalankiewicz.
 
 Em femininos, as austríacas Lena Plesiutschnig e Katharina Schutzenhofer, ambas de apenas 17 anos, mas já campeãs europeias de Sub-20 e vice-campeãs mundiais de Sub-19 (2011), bem como as alemãs Chantal Laboreur (campeã mundial de Sub-19 em 2008), que forma dupla com Kira Wlakenhorst, e Cinja Tillmann (campeã europeia de Sub-20 em 2010), que tem Teresa Mersmann como parceira, a par da russa Maria Ushkova (vice-campeã europeia de Sub-20), encabeçam um lote de potenciais vencedoras no Europeu de Sub-23.
 
 João Pedro Silva Vieira, elemento da equipa técnica dos Centros de Alto Nível de Voleibol de Praia, coordenados por Francisco Fidalgo, que têm vindo a produzir as jovens promessas do Voleibol de Praia nacional sabe que a tarefa dos portugueses assume contornos de «missão impossível», mas está confiante nas capacidades dos jovens pupilos:
 “O grupo de atletas, quer femininos quer masculinos, que seleccionámos para esta competição é formado por atletas que trabalham connosco há já vários anos. Alguns têm experiência internacional e sentimos que é um grupo com características que nos permitem encarar com confiança o Europeu de Sub-23, que é considerado já uma prova de seniores.
 Penso que estão preparados para dar o máximo e representar da melhor maneira possível o nosso país”.
 
 A concorrência é forte e ambiciosa:
 “Vamos defrontar atletas que possuem já uma vasta experiência, não só numa sequência de competições desde as camadas mais jovens, Sub-18, Sub-19 e Sub-20, campeonatos europeus ou mundiais, pois o escalão de Sub-23 já coloca em confronto atletas com experiência a nível de Challengers, Satélites, provas às quais infelizmente ainda não conseguimos ter acesso, e até de etapas do Circuito Mundial [Swatch FIVB Beach-Volley World Tour].
 Mas vamos tentar que os nossos atletas consigam colocar em campo aquilo que foram vivenciando nos treinos e nas experiências competitivas internacionais que disputaram para assim apresentarem melhores argumentos para se baterem com essas duplas.
 Há sempre duplas mais fortes e outras teoricamente mais acessíveis, o sorteio ditará quem serão os nossos adversários e quais serão as nossas hipóteses. Vamos procurar somar pontos jogo a jogo para nos podermos apurar para a fase da dupla eliminatória.
 O primeiro dia de competição será muito importante, pois uma vitória na fase de grupos abre boas perspectivas para a fase seguinte.
 Seria muito bom que conseguíssemos, pelo menos, apurar uma dupla de masculinos e outra de femininos, à semelhança do que já aconteceu noutros anos. Vamos tentar dar seguimento ao bom trabalho que estamos a fazer.
 O Rui Moreira e o Ricardo Silva fizeram uma boa prova na edição do ano passado do Europeu de Sub-23. O 9.º lugar pode ser considerado uma vitória para nós, porque não é fácil conseguirmos um lugar de destaque, como a medalha de prata da Joana Neto e da Mariana Filipe, um feito histórico e o corolário de um ano de trabalho”.
 
 Duplas portuguesas
  
  1.ª Dupla Masculinos – Rui Moreira / Ricardo Silva

 
 Rui Moreira, nascido em 18.02.1989, é o Sub-23 português com mais experiência internacional, constando do seu currículo o 9.º lugar no Europeu de Sub-23 (2010), o 9.º lugar no Europeu de Sub-18 (2006), o 17.º lugar no Mundial de Sub-19 (2007), o 13.º lugar no Europeu de Sub-23 (2008) e a vitória no Meydan Beach Volleyball Exibition Tournament, torneio disputado na Turquia em Julho do ano corrente:
 “Estamos à espera de fazer um bom campeonato e dar a conhecer a modalidade às pessoas. Também nos queremos divertir e, simultaneamente, aprender, pois aprende-se muito a jogar com duplas desta qualidade.
 O nosso objectivo é jogar bem e não facilitar e pode ser que consigamos conquistar alguma coisa. Não vamos ter esperanças muito elevadas, mas como lutamos sempre e nunca desistimos, pode ser que os resultados apareçam.
 No ano passado, defrontámos estas mesmas duplas e algumas mais velhas e até nos saímos bem. É preciso ter muita sorte no sorteio dos grupos, nos cruzamentos, e depois logo se vê, pois a partir daí é o mata-mata e ninguém pode facilitar.
 Creio que a nossa participação depende de alguma sorte, no caso do sorteio, mas muito de nós próprios.
 Viemos de uma boa prestação no torneio da Turquia. É muito bom jogar lá fora, pois aprende-se muito, ganhamos muita experiência e jogabilidade. Não acusámos a pressão, o que é muito importante e é sempre bom ter essa experiência, pois vai ajudar muito na nossa prestação nos Sub-23”.
 
 Ricardo Silva, nascido em 30.08.1990, tem no seu currículo internacional a recente vitória no torneio turco Meydan Beach Volleyball Exibition Tournament e o 9.º lugar no Campeonato da Europa de Sub-23 (2010):
 “Fomos à Grécia [Europeu de Sub-23, em Kos, 2010] sem pressão nenhuma. A Federação apostou em nós e nós demos o nosso melhor, tentando mostrar o nosso valor, representar bem Portugal e fazer ver que tínhamos sido uma boa aposta.
 Se calhar, vamos sentir mais a pressão de jogar perante o público português, mas penso que vamos acabar por conseguir libertar-nos da pressão, à semelhança do que fizemos lá fora e demonstrar ao público aquilo que nós valemos e fazer com que eles torçam por nós.
 Como disse o Rui, o sorteio poderá condicionar um pouco a prestação das duplas, mas o nosso objectivo é tentarmos igualar a prestação que registámos na Grécia [9.º lugar].
 Também não tivemos muita sorte, pois defrontámos na segunda ronda os polacos Kadziola e Szalankiewicz, que acabariam por se sagrar campeões europeus de Sub-23 e que estarão no Porto para defenderem o seu título.
 São duplas que jogam Voleibol de Praia durante todo o ano e que são fortemente apoiadas quer por patrocinadores, quer por entidades do Estado, enquanto nós treinamos esta variante durante os três meses do Verão e temos a vida mais complicada em termos de apoios.
 Estamos a investir muito na dupla, mas também estamos conscientes de que será necessário ter paciência, lutar para que os resultados apareçam e avançar devagar, passo a passo…”.
  
  2.ª Dupla Masculinos – Luís Puga / Fernando Silva
 

 Luís Puga, nascido em 8.04.1990, foi 19.º classificado no Europeu de Sub-20 (2009):
 “É difícil pensar em resultados. Para nós, o mais fácil é pensar no trabalho que temos feito e tentar pôr em prática aquilo que sabemos e que aprendemos e logo veremos o que vai acontecer.
 Não temos a mesma experiência dos nossos colegas, mas treinamos com eles e isso tem sido bom para nós, pois têm partilhado os seus conhecimentos connosco e isso pode vir a revelar-se muito importante e uma mais-valia durante o Europeu.
 Começámos a jogar como dupla por decisão da equipa técnica, pois tínhamos outros parceiros, mas ambos adoramos o Voleibol de Praia e uma grande vontade de mostrar aquilo que valemos.
 O Europeu, por ser organizado em Portugal, possibilita-nos uma excelente oportunidade de defrontar algumas das duplas mais promissoras, já com experiência no Circuito Mundial. Vamos fazer sempre por agarrarmos estas oportunidades, mas sabemos que não depende só de nós e é preciso ter alguma sorte para vingarmos nesta carreira”.
 
 Fernando Silva, nascido em 27.01.1992, foi 17.º classificado no Mundial de Sub-19, disputado em 2010 na cidade do Porto:
 “Penso que este ano vai ser muito mais complicado, pelo menos para mim, porque no ano passado estava numa competição com atletas da minha idade e neste grupo sou o mais novo e vou defrontar jogadores muito mais experientes, que treinam todo o ano e que registam já resultados relevantes em provas deste género.
 Em Portugal, o Voleibol de Praia é um desporto sazonal, só de Verão, e nós juntámo-nos há pouco tempo. Mas temos treinado bem e vamos tentar encarar esta participação no Europeu sem pressão nenhuma.
 No ano passado, eu e o Sebastião Alves estreámo-nos no Mundial de Sub-19 logo com uma vitória, que nos abriu novos horizontes, embora, infelizmente, acabasse por não nos dar a qualificação, mas foi uma experiência muito boa.
 Creio que ninguém estava à espera de ganhar jogos, estávamos só a ver o que é que dava, mas apenas uma dupla não ganhou qualquer jogo, pelo que o balanço da participação de Portugal foi muito positivo, principalmente se tomarmos em conta que as duplas estrangeiras tinham um nível de qualidade muito elevado.
 Este ano surgiu mais esta oportunidade e só temos de mostrar o nosso valor. Penso que o primeiro jogo é aquele que vai decidir tudo. Ninguém nos conhece lá fora e é o jogo em que podemos surpreender.
 A nossa postura vai ter de ser de grande entreajuda e pautar-se pela regularidade, pois só assim conseguiremos causar surpresas frente a adversários que são superiores”.
  
  1.ª Dupla Femininos – Joana Resende / Tânia Oliveira
  

  Joana Resende, nascida em 23.02.1991, forma dupla com Tânia Oliveira há três anos e tem no seu currículo algumas subidas ao pódio no Circuito Nacional, bem como a participação na Taça Continental, em Zrece (Eslovénia):
 “Já jogamos juntas há cerca de três anos e creio que temos vindo a evoluir como dupla, mas vamos defrontar duplas que se formaram há bem mais tempo e têm uma preparação maior, até porque a sua aposta no Voleibol de Praia foi mais forte.
 O que temos a fazer é jogar com atitude e elevar o mais alto possível o nome do nosso país. Isso tem vindo a ser conseguido, com alguns resultados, já tivemos campeões da Europa de Sub-23, no caso da dupla José Pedrosa/José Teixeira, o Rui Moreira e o Ricardo Silva também já registaram resultados significativos e, no ano passado, a Joana Neto e a Mariana Filipe conseguiram um excelente segundo lugar no Europeu de Sub-18 e creio que devemos fazer tudo para dar seguimento a estes bons resultados.
 O Campeonato da Europa de Sub-23 será a competição mais importante em que participamos e acredito que vai enriquecer-nos enquanto dupla. Temos uma vontade enorme de participar nesta competição e de dar o nosso melhor, de modo a que quando acabar a nossa participação possamos dizer que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para honrar Portugal”.
 
 
 Tânia Oliveira, nascida em 6.04.1989, tem no seu currículo algumas subidas ao pódio no Circuito Nacional, bem como a participação na Taça Continental, em Zrece (Eslovénia):
 “Temos de tentar tirar partido do facto de o Europeu ser organizado cá, perante o nosso público. É um orgulho estar a representar o nosso país e vamos procurar fazê-lo o melhor possível. Sabemos que nesta competição o nível é extremamente elevado, mas queremos dignificar o nome de Portugal e vamos dar o nosso máximo para que tudo corra pelo melhor.
 Conhecemos algumas duplas que participam já no Circuito Mundial, mas nunca as defrontámos.
 A nossa experiência passa pelo Campeonato Nacional e pela Taça Continental, competição em que defrontámos já duplas com um nível elevado. Agora, na Turquia [Meydan Beach Volleyball Exibition Tournament], também tivemos oportunidade de ganhar mais ritmo…
 A única promessa que podemos fazer é a de que vamos lutar pelo melhor resultado possível”.
  
  2.ª Dupla Femininos – Marta Hurst / Rosa Couto
 

 Marta Hurst, nascida em 7.07.1992, foi 19.ª classificada no Mundial de Sub-19, realizado no ano passado no Porto:
 “O sorteio influencia um pouco a nossa maneira de lidar com os adversários. Cada dupla tem as suas características e a sua forma de jogar, mas todas apresentam um nível elevado, pelo que mesmo que o sorteio nos seja favorável e coloque no nosso caminho duplas teoricamente menos difíceis, teremos de dar o nosso máximo para podermos fazer resultados que, porventura, superem as nossas próprias expectativas ou consigam mesmo surpreender.
 Noto que evolui relativamente à minha participação no Mundial de Sub-19, no ano passado, mas quero evoluir muito mais e creio que, nesse sentido, o Europeu de Sub-23 vai ser uma boa experiência.
 Principalmente porque vai obrigar-nos a ter muita consistência, pois é disputado a um nível muito elevado, são duplas que treinam praticamente o ano todo e que disputam já competições deste nível e mesmo etapas do Circuito Mundial, mas para nós isso funciona como um factor muito motivante, porque é mesmo contra estas equipas que dá muita vontade de jogar.
 O facto de estarmos a jogar perante os nossos familiares, amigos e um público que nos apoia sempre tem um certo impacto pois queremos mostrar o nosso melhor para lhes dar alegrias, pelo que o primeiro jogo ainda vai causar uma certa impressão, mas estou confiante que esse nervosismo será ultrapassado mais rapidamente do que no ano passado”.
 
 Rosa Couto, nascida em 26.12.1990, vai fazer a sua estreia internacional:
 “Estamos a jogar em casa e cada jogo, apesar de ter as suas características, começa em «zero-zero», pelo que tudo é possível.
 Vamos procurar manter um jogo consistente e tentar desestabilizar o jogo das nossas adversárias, de modo a criar incerteza quanto ao vencedor.
 Só estamos a jogar juntas este ano, mas creio que está já a haver um bom entrosamento, temos feito bons treinos e que está tudo a correr como devia.
 Em Portugal, ainda é muito complicado apostar na vertente praia durante todo o ano, mas a nossa vontade é continuar a apostar durante os três meses de Verão.
 As duplas portuguesas caracterizam-se por serem sempre um bocado mais baixas em relação às estrangeiras, pelo que vamos tentar fazer a diferença no nosso serviço e mais no contra-ataque do que propriamente no side-out, que será o ponto forte delas.
 Vamos jogar em Portugal, e no Porto, que tem sido um palco com muita gente a assistir e vamos tentar fazer com que o público fique agradado com o espectáculo. Para isso, temos de jogar com garra, lutando por todos os pontos e tentar dar um bom espectáculo para que todos saiamos satisfeitos do Europeu”.
   

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segunda-feira, 20 de maio de 2019 – 18:25:33

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