Circuito Mundial de Voleibol de Praia

 


A dupla feminina de Voleibol de Praia Vanessa Paquete/Gabriela Coelho vai finalmente entrar em acção ao mais alto nível no início do mês de Maio.

Após cerca de oito meses de treino, que incluíram dois estágios em França com a selecção tricolor de Voleibol de Praia, e uma competição em Espanha, mais concretamente no País Basco (Open De Vóley de Playa de Invierno de Galdakao), a dupla portuguesa vai disputar duas etapas de três estrelas do Circuito Mundial de Voleibol de Praia (Beach Volleyball World Tour).

A primeira disputa-se em Mersin, na Turquia, de 2 a 6 de Maio, e a segunda na cidade suíça de Lucerne, de 9 a 13 de Maio.

Ricardo Rocha, o treinador da dupla lusitana, também ele um antigo atleta da variante do Voleibol, salienta:
“Agora é que começa a parte interessante. 
Não encaramos isto como um teste-de-fogo. Estivemos oito meses a trabalhar praticamente sozinhos, fomos duas vezes estagiar a França e competir num torneio em Espanha, que correu muito bem, e já não competimos desde aí. 
Estas etapas constituem uma oportunidade para fazermos uma nova avaliação, ver o que vai acontecer em competição e como é que elas se sentem num ambiente [World Tour] que não é normal para elas, já que só participaram em etapas Subs. 
Se as pessoas fizerem a leitura do Ranking do Qualifying da primeira prova, na Turquia, vão reparar que a nossa é a única dupla que ainda não tem pontos. Somos os mais inexperientes e, por isso, estamos preparados para tudo, para lidar com o sucesso e o insucesso.
Creio que a nossa performance vai depender muito dos nossos adversários, mas vamos tentar pôr em prática tudo aquilo que treinámos até agora”.

Ricardo Rocha acompanhou o trabalho com a formação (subs) realizado nos Centros de Treino de Alto Rendimento de Voleibol de Praia (CTARVP) da Federação Portuguesa de Voleibol (FPV) há mais de uma década e conhece bem as suas pupilas:
“Elas evoluíram imenso nos últimos meses e em todos os aspectos, a nível físico, técnico e táctico.
Não estamos ainda no patamar que nós queremos, como é lógico, pois é um processo longo e temos de ter a noção de que as duplas que vamos defrontar têm já, no mínimo, quatro/cinco anos de trabalho e nós temos apenas uns meses.
Acredito que elas conseguem chegar rapidamente a um nível muito bom, mas isso depende de vários factores.
No aspecto táctico, ainda temos alguma dificuldade em percebermos em que nível é que estamos porque jogámos muito pouco.
Temos de pensar a nossa participação nestas etapas do Circuito Mundial jogo a jogo, mas é lógico que vamos disputar a qualificação a pensar no apuramento para o Quadro Principal. Se isso não for conseguido, temos de avaliar e continuar a trabalhar.
Elas são as pioneiras, entre aspas, deste projecto federativo e só espero que o Voleibol de Praia se torne uma modalidade consolidada em Portugal e que elas, que são as primeiras, constituam um exemplo para outras até ao fim”.

Sobre o que a dupla irá encontrar, tanto na Turquia como na Suíça, Vanessa Paquete destaca:
“Depois de estarmos a treinar oito meses praticamente só nós as duas, a ansiedade vai ser um factor a ter em conta porque vamos ficar nervosas por ser um momento de avaliação para nós e porque vamos querer que saia tudo bem logo à primeira e isso provavelmente não irá acontecer. Vamos tentar controlar ao máximo os níveis de ansiedade”.

A propósito, Gabriela Coelho reforça:
“Independentemente das adversárias, nós temos é de dar o nosso máximo e tentar que o jogo nos corra de feição. Não podemos pensar se do outro lado da rede está uma dupla forte, seja brasileira, alemã ou de qualquer outro país com tradição no Voleibol de Praia, mas mais em nós próprias e no trabalho que realizámos até agora”.

Jogaram juntas no Mundial de Sub-19, em 2013, disputado no Porto, e o Campeonato da Europa de Sub-22, em 2016, na Grécia.  O que mudou na vossa forma de jogar?

Vanessa Paquete:
“Creio que onde se nota mais a evolução da Gabi como jogadora é no serviço, pois ela já consegue servir em suspensão e com força, e no segundo toque (passe) que já tem consistência, e também o facto de, no caso específico dela, que é defesa, conseguir agora ler muito melhor a adversária e partir mais rapidamente para a defesa, para além da maturidade de jogo que já 
atingiu”.

Gabriela Coelho:
“Passou bastante tempo desde que jogámos juntas pela última vez e é natural que tenha havido evolução, tanto minha como da Vanessa. Temos treinado muito passe e bloco, o nosso serviço já é mais agressivo”.

Quando não estiverem a competir internacionalmente, Vanessa e Gabriela irão disputar algumas etapas do Campeonato Nacional de Voleibol de Praia, onde estarão debaixo das atenções gerais pelo facto de formarem a primeira dupla (depois da tentativa da dupla olímpica Maria José Schuller/Cristina Pereira em finais dos anos 90) a dedicar-se exclusivamente ao Voleibol de Praia, sem jogarem indoor.

Vanessa Paquete: 
“As outras duplas nacionais vão olhar para nós doutra forma por termos treinado «tanto» na praia, em relação a elas, mas não vamos deixar que seja um factor negativo para nós, pois isso só cria ansiedade e nervosismo.
Creio que o facto de falarem de nós como uma dupla de Voleibol de Praia a tempo inteiro foi positivo, sobretudo porque os atletas têm esperança de que o Voleibol de Praia possa vir a ser mais profissional em Portugal.
Creio que todos ficaram felizes por nós e também por a Federação Portuguesa de Voleibol estar a abraçar este projecto”.

Gabriela Coelho:
“Não foi fácil para nós os três passarmos o Inverno a treinar, mas isso só fez sobressair a nossa capacidade de sacrifício e a nossa vontade de querer de fazer sempre mais e melhor e é nisso que temos de pensar, em dar continuidade àquilo que fizemos até agora e que, a seu tempo, isso se 
traduza em resultados”.

Gabriela Coelho e Vanessa Paquete disputaram em finais de 2017 o Open De Vóley de Playa de Invierno de Galdakao, tendo subido ao pódio deste torneio realizado no País Basco e que abriu o calendário do Voleibol de Praia da vizinha Espanha.

Não é a primeira vez que Gabriela e Vanessa jogam juntas, tendo disputado competições internacionais de Voleibol de Praia de escalões de formação, mais concretamente o Mundial de Sub-19, em 2013 (Porto) e o Campeonato da Europa de Sub-22, em 2016 (Grécia).

Gabi e Vanessa, apesar da sua juventude, respectivamente, 20 e 23 anos, já deixaram a sua marca a nível mundial, entre outros resultados mais ou menos relevantes:
– Vanessa Paquete (com Daniela Silva) foi vice-campeã do Torneio de Sub-21 da WEVZA, na Albufeira do Azibo, em 2014;
– Gabriela Coelho (com Marta Hurst) venceu o I Torneio de Voleibol de Praia da Associação das Federações de Voleibol de Países de Língua Portuguesa (AFV-PLP), disputado na praia de Santa Maria, na ilha do Sal, em Cabo Verde, em 2017.

 

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