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37ª Corrida da Liberdade

Com o intuito de comemorar, recordar e avivar a Revolução de Abril de 1974 e os seus ideiais, a Corrida da Liberdade realizou-se pela 37ª vez, neste ano de 2014 em que o 25 de Abril faz 40 anos.

 

Organizada pela Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa, Federação das Colectividades de Cultura Recreio e Desporto do Distrito de Lisboa e a Associação 25 de Abril, com o apoio da Camara Municipal de Lisboa e outros, a Corrida tem inscrição gratuita e oferece 11 Km da cidade de Lisboa para percorrer em comemorção da Liberdade, num percurso bonito e totalmente sem trânsito (3 corridas com 3 locais de partida e distâncias diferentes e o mesmo local de chegada). Há abastecimento de água a meio da prova (na de 11 km pelo menos) e também no final assim como é oferecida uma t-shirt de algodão a todos os participantes chegados à meta.

 

Inserida nas comemorações da data, a Corrida reveste-se fortemente de um simbolismo especial, ideal de muitos dos participantes. Animação na Partida e na Chegada e tem tudo para agradar aos corredores, mais ainda se considerarmos o custo zero para o participante.

 

Que Abril se mantenha vivo assim como a Corrida da Liberdade. Parabéns e obrigada a toda a organização e entidades envolvidas que nos ofereceram uma manhã de Corrida, amizade e festa.

 

A minha Corrida:

 

Descobri-a tarde. Por motivo nenhum especial, mas nunca tinha calhado por isto ou por aquilo. Mas desde que a conheço e a senti (a primeira vez no ano passado) conto voltar sempre a ela, mantendo vivo o espírito. O de Abril. Mesmo com tudo de que nos queixamos hoje, continuo a ser uma fiel defensora do 25 de Abril e tudo o que significa, na prática e na teoria.

 

Lembro-me por exemplo que comecei a correr, integrada num clube, em 1976 ou 1977, altura em que nascia a Corrida para todos, e só graças a esse e outros movimentos associativos que proliferavam entusiasticamente na altura, só permitidos no pós 25 Abril, fui a criança que fui e sou o adulto que sou. E isto só para referir a Corrida e o papel de Abril nela.

 

Volto ao presente. 2014. O meu pai está melhor e vai acompanhar-me à Corrida. Parece pois que está tudo em ordem e regressa o normal. Estou pouco treinada, gorda e cansada. Exacta e precisamente tudo normal então.

 

Deixo o pai nos Restauradores e vou de Metro para o ponto de Partida: Pontinha, junto ao Quartel - Regimento de Engenharia nr. 1, precisamente onde na noite da revolução, a 25 de Abril de 1974, se instalou o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas e a partir daí se dirigiu e coordenou todas as operações militares que permitiram o derrube do regime de ditadura vivido até aí, e onde hoje existe um núcleo museológico que recria essa noite que virou uma página na nossa história.

 

Encontro alguns amigos, outros não os vejo apesar de os saber lá (Eugénia?) e tenho bastante pena, mas a vida é mesmo assim, feita de encontros e desencontros e a minha amiga já deve estar bem posicionada na Partida e eu estou cá bem atrás pois a minha prestação será bem mais modesta. Por outro lado, à espera da partida encontro o amigo Albísio, e a troca de palavras é surpreendentemente agradável, consolidando-se posturas e ideias já dadas a conhecer pelo mundo virtual.

 

A Partida é dada e sigo sozinha, pois cada um tem de encontrar o seu passo, como na vida, e segue só, apesar da multidão. No entanto, por momentos acompanho este e outro amigo. E mais outro ali. Há conversa, amizade, camaradagem e por vários metros nos entreajudamos e os sentimentos são simples e genuínos. Sincero e verdadeiro prazer em os rever. Depois, uns vão para a frente, outros ficam para trás. É a vida a correr pelas artérias da minha cidade. Já mais de meio da prova foi corrida e avisto o Joaquim Adelino. Espera-me? Não sei, mas ele parece dizer-me isso. Assim que o avisto, corro mais. Corro muito e junto-me a ele para juntos corrermos os cerca de 5 km que faltavam. Juntos, até à meta. Não pensei largá-lo e vamos bem! Bem! Há séculos que não me sentia assim "bem" a correr. Ritmo vivo! Bem! E descemos a Avenida da Liberdade de alma elevada e coração cheio. O meu pai estará lá à frente à minha espera. Corro. Corro muito! Corro forte! Emociono-me. Não choro. Gosto disto. Revejo tantos amigos... Uma cumplicidade natural leva-nos juntos até à meta! Corto-a! Mais amigos. Feliz! Uma excelente prova! Eu que nos treinos me via aflita para correr 6 km, hoje corri 10,830 Km em 1h02m02s, numa média de 5:44 / km e senti-me estupendamente bem! A provar que mesmo os treininhos lentos que tanto me custam e mesmo de distâncias curtas, dão os seus resultados. Treinar qualquer coisinha, já faz diferença! Não que considere uma grande marca, porque não o é, nem para a minha pessoa, mas a forma "bem" como me senti durante toda a Corrida é a prova de que os treininhos dão resultado (como se isso fosse novidade, mas senti-lo na pele e nos ossos, dá-me vontade de o referir, de o repetir, de o interiorizar e sentir mais e fazer mais!)

 

Até para o ano Corrida da Liberdade


 

Ana Pereira
http://mariasemfrionemcasa.blogspot.pt/

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sábado, 15 de agosto de 2020 – 20:32:27

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