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1ª Meia Maratona de Almada

Se Almada e a Margem Sul não me dissessem nada, eu diria apenas que a 1ª Meia Maratona de Almada, realizada no dia 28 de Abril de 2013, foi organizada pela PlayurDream e promovida pelo Colégio St. Peter’s School. Teve perto de 800 atletas a cortar a meta da Meia Maratona, outros tantos na prova de 9,5 Km, e ainda umas boas centenas de participantes na Caminhada, totalizando o número redondo de 4000 participantes, que fez esgotar as inscrições uns dias antes. Diria que o vencedor masculino foi Nélson Cruz, do Praia Salema, com 1.09.35 e a vencedora feminina, Amélia Costa do Alto do Moinho, com 1.28.17. Diria que a inscrição teve um custo elevado (EUR 11,00 numa 1ª fase), que os prémios de presença foram uma t-shirt técnica de muito boa qualidade e uma medalha. Que houve abastecimentos de água, bebida isotónica e banana, que a entrega dos dorsais só se fez nos dias precedentes à prova, que o espaço, a animação e a organização na Partida e chegada estavam muitíssimo bem. Que o percurso é diversificado e bonito. Que os kms não estão marcados. Que o trânsito e a segurança do atleta estiveram garantidos, que houve apoio médico e vigilância/acompanhamento dos atletas ao longo do percurso. Que existiu animação a dada altura do percurso, que não faltou água na chegada, que existiram marcadores de ritmo para vários objectivos de tempo: 1h30m, 1h45m e 2hrs. Diria que a prova foi um sucesso e que a Organização está de parabéns assim como todos os que contribruíram para o seu sucesso e a tornaram possível.
 
Mas como Almada e a Margem Sul têm para esta rapariga um significado muito especial, não tivesse ela lá passado quase metade da sua vida, praticamente toda a sua vida adulta, sobre esta prova ela continua a dizer tudo o que disse acima sim senhor, mas também esta corrida se revestiu para ela de uma magia e um significado muito especial, que tentará colocar nas palavras que se seguem:
 
Ponte sobre o Tejo, o Tejo, o Cristo Rei, a capela do Pragal e o semblante muda-se-lhe. Esboça um sorriso e entra no mundo dela. Inala e absorve com prazer as fragrâncias a trazerem-lhe recordações de outros tempos.
 
Rapidamente está na Cova da Piedade. Estaciona o carro e logo se cerca de amigos. Toma café continuando a reviver o passado e depressa chega a hora de aquecer. Pouco que os treinos são parcos e não deve perder mais energia. Amigos e mais amigos. De ontem e de hoje.
 
Avista marcadores de ritmo. Precisamente de 2 horas. Tendo em conta os treinos que tem (ou antes a falta deles!), contava fazer 2h05m... ou pouco mais. Mas ao ver os marcadores, decidiu na hora "E se eu tentasse?!". Um pouco ambicioso, pouco razoável, mas ainda assim possível.
 
Avista a Fernanda Parro e quando lhe sugere a aventura, para sua felicidade fica a saber que é o Luís Parro que marcará o ritmo das 2 horas. "O teu Luís? Boa! Não o vou largar". A Fernanda diz que vai tentar mas que lhe será difícil. A esta rapariga difícil será também mas os níveis de entusiasmo e optimismo estão em alta. Vai tentar sim!
 
Os reencontos sucedem-se e ela já está feliz, não sabendo o desfecho do desafio mas já pelo desafio em si. E assim, é dada a Partida e ela vai tentanto desde logo não descolar do Parro. Atrás, vem um outro marcador também para as 2 horas, mas ela está decidida a não largar os Parros.
 
A prova sai na Avenida em frente à velha Lisnave. Avista o pai que fotografa os atletas e segue contente. Todo o ambiente da corrida envolvido pela magia das recordações daquelas mesmas ruas, povoadas com ela noutros tempos, marcadas com outras e tantas rotinas: trabalho, compras, treinos, provas, passeios, buscar a filha, levar a filha, amores e desamores... tudo isso a fazem sentir imensamente bem, num estado de graça a roçar o sublime.
 
Os atletas são levados a entrar no Arsenal, e mais recordações lhe chegam à mente. Bons treinos ali fez. Agora, agarra-se ao presente e corre. O Parro puxou um bocado ao início e ela deixa-se ficar um pouco para trás aproximando-se do 2º marcador das 2 horas. Acha que vai melhor ali e nem imagina o quanto isso se veio a revelar verdade.
 
Há algum desnível e as pernas queixam-se um pouco. Mas não larga agora o 2º marcador. Está empenhadíssima. O tipo parece certinho e ela não o vai largar. Pelo menos, é essa a sua convicção agora. Passam mesmo pelo centro da Cova da Piedade. Muito público. Animação. Novas e boas recordações. A cabeça dela não pára mas as pernas também não. Agarra-se ao presente e corre.
 
Entretanto o seu grupo passa o Parro que parece ter abrandado, e segue o grupo dela num ritmo constante. O marcador, vai sempre anunciando as médias, motivando e incentivando o grupo.
 
Dirige-se agora aquele desfilar colorido de atletas para o Parque da Paz. Ai...novas e boas recordações. Treinos, tantos e tão bons treinos ali fez. Agarra-se ao presente e corre. Cola-se ao marcador e o ritmo oscila entre 5:36 e 5: 50. Forte para ela. Mas ela sente-se forte também. Bem. Agarra-se ao presente e corre.
 
Fórum Almada... ai, não vamos dizer que lhe vêm à cabeça mais recordações, todos aqueles passos estão repletos delas! A prova toda! Mas ela agarra-se ao presente e corre!
Atravessam os atletas o parque de estacionamento e seguem. Segue-se a subida para o Monte da Caparica. Aí ela não teve hipótese. Descolou da Lebre e do grupo. Quebra. Pesa-lhe o rabo. Falta-lhe a força. E com tristeza vê afastar-se a sua Lebre e o grupo. Acaba ali o sonho? Não sabe. Bebe água e engole um pouco de banana dos abastecimentos. Não tira os olhos da camisola amarela e da bandeirola vermelha a ostentar no ar as 2:00hrs ao ritmo certo do marcador de ritmo, como que a chamá-la, a desafiá-la. Terminada a subida, ganha forças de novo. Está decidida a apanhar de novo o grupo das 2 horas. Agarra-se ao presente e corre! Com força. Apanha-os. De novo ao lado do Armando e da sua lebre. Boa! Está tudo controlado de novo. Não o vai largar e está de novo bem e com uma motivação excelente.
 
Entra a corrida na Universidade do Monte. Uma banda anima o local e anima-a a ela. Não de desconcentra no entanto. Vai em esforço, mas bem. Controlada. Firme e segura que não vai mais descolar. Nova subida mas ela aguenta-se. Segue as pegadas da Lebre e com a ajuda das palavras motivadoras deste para com o grupo, ela consegue vencer esta subida sem descolar! Sente-se muitíssimo bem. Mesmo no cimo da subida. Começa-se a entrar em Almada. Está segura e forte. Motivadíssima. O vento faz-se sentir mais forte. Utiliza a Lebre para se proteger do vento posicionando-se imediatamente atrás. Completamente colada.
 
Km 18. "Quem estiver bem, pode ir para a frente agora", diz o rapaz, mas ela não estava bem para ir mais rápido. Estava bem para ir como estava a ir e acabar com 2 horas. Mas a lebre entusiasmou-se com a descida, certamente para ajudar os "que estavam bem para ir para a frente" e ajuda-os a chegar à meta numa boa ponta final. Entretanto o grupo perde a consistência e uns vão e outros ficam. Ela, embora fosse a descer, mas fazer abaixo de 5:00/km ao fim de 19 kms nas pernas, já era pedir demais à rapariga! Viu o grupo pirar-se e as pernas não lhe corresponderam. Correu, aumentou o ritmo mas não conseguiu acompanhar a maioria.
Mas mais uma vez, agarra-se ao presente e corre! Corre o máximo que pode mas sempre bem controlada. Avista de novo o pai de máquina em punho. Aí, já sozinha, levanta os braços triunfante e sorri, sorri como há muito não sorria, certa de ir cortar a meta, certa de ir cortar a meta abaixo das 2 horas, certa de se sentir viva como há muito não se sentia e certa de estar feliz! Agarra-se ao presente e corre! Mais uns metros.
 
Surpreende-se ao ver na linha da meta, a "sua" Lebre, ainda a incentivar os do "seu" grupo que tinham ficado um pouco para trás naquela ponta final.
 
Termina com 1h57m55s. Está radiante. Há imenso tempo que não se sentia assim, tão bem a correr. Correu, sonhou, acordou, despertou e está aí de novo. Cheia de tudo o que se quer para se ser feliz! Até começa a acreditar de novo em velhos sonhos. Mas isso é outra história que fica para outro dia.
 
Hoje, agarra-se ao presente e corre! Corre feliz! E foi assim na 1ª Meia Maratona de Almada.
 
Ana Pereira
 

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terça-feira, 4 de agosto de 2020 – 13:43:19

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