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31ª Corrida Internacional do 1º de Maio

A minha Corrida e a Corrida de todos
 
Dizem que somos duas vezes crianças. Na nossa idade genuína de criança e depois quando chegamos a uma idade mais avançada. E o meu pai está bem, mas já entrou nessa idade a que chamamos "outra vez criança". E eu, compreendo e vivo agora com ele o velho ditado "Quem meus filhos beija, minha boca adoça". E hoje saí do 1º de Maio absolutamente adoçada, pela inversão de papéis Pai-Filha. Pelos inúmeros amigos e companheiros que o estimam e o demonstram carinhosa e efusivamente! Só por isso e por ele já valia a pena ir correr! Mas depois há também tudo o resto. Os amigos que reencontro, o ambiente e a Corrida em si e em mim!
 
E hoje, foi absolutamente espectacular! Não tanto pela minha prestação(*), embora melhor que os Sinos (1h30), e bem melhor que as Lezírias(1h37m), mas sim pela facilidade relativa com que corri, e a forma como me sinto depois da prova (muito bem, nada "partida" nem exausta ao ponto de vomitar esgotada e nauseada como me acontece com alguma frequência depois de provas em que o esforço é grande demais para a preparação que tenho). Não duvido que a agradabilíssima companhia da Eugénia, tão animada e faladora (adoro ouvi-la) e do "Run Ganfas Run", que em boa hora se veio apresentar (em plena corrida, prazer em conhecer Ganfas!), para nos acompanhar até à meta, contribuiu e muito para sentir e viver a prova de forma tão agradável! Mas claro que as pernas foram as minhas e os treinos que mesmo deficientemente tenho vindo a fazer, começam a produzir efeito, e correr 15 km já pode ser encarado com alguma naturalidade e ligeireza. Estou muito satisfeita comigo.
 
E correr na minha cidade é tão bonito. Presentados com uma chuva na Partida, para cedo cessar, saímos do estádio 1º de Maio e mergulhamos na cidade. De ruas limpas e lavadas para nós. Alvalade, Campo Grande, Saldanha, Marquês, Av. Liberdade, Restauradores, Rossio, Rua do Ouro, Rua do Comércio e começa-se a subir: Martim Moniz, Rua da Palma, Almirante Reis, Arroios, Alameda, Av. João XXI, Av. Roma, Alvalade e regresso ao estádio, onde a pista de tartan nos aguarda, para nela corrermos os últimos metros. 
 
As músicas de intervenção do nosso 25 de Abril fazem-se ouvir aqui e ali, a tentar recordar-nos a história e o significado deste dia 1º de Maio. Enchem-me o peito e arrepiam-me. Recuo a 1974, e vejo-me sentada com 5 anos de idade na soleira da porta do quintal de minha mãe, a ouvir "A Tourada" de Fernando Tordo, que passava na rádio e não sabíamos e muito menos compreendíamos o que se passava nas ruas.
 
Depressa volto ao presente, não tão diferente, e concentro-me na Corrida. No esforço controlado e vejo a minha cidade de prédios em ruínas também. De lojas chinesas e indianas, de lixo na rua, de sem abrigo e drogados de olhos suplicantes. É também esta a minha Lisboa. O Areeiro ao fundo aguarda-me e avançamos ao ritmo da voz da Eugénia. Mesmo em silêncio, quem teve parceiros do princípio ao fim de uma prova, sabe o que isso pode significar. Cumplicidade e entreajuda. Amizade. Vivi-as hoje na pele e agradeço à Eugénia e ao Ganfas pois tornaram a minha Corrida mais feliz. 
 
A culminar, ter o meu pai bem e também feliz a esperar-me na meta. Por agora não preciso de mais nada, corto a meta, desligo o cronómetro e agradeço aos meus companheiros talvez não da forma mais clara, mas por timidez ou falta de jeito. Mais amigos se reencontram e estou pronta para seguir e continuar a minha viagem. Obrigada a todos.
 
 (*) - 14,760 Km em 1h27m17s, média de 5:55 / Km, e sendo o dorsal 1284, fui a 1283ª classificada entre os 1442 chegados à meta
 
 
A prova de todos (ou não será bem assim, mas quase)
 
A prova teve um custo de inscrição acessível (EUR 3,00) e viu nesta 31ª edição bater o seu record de participantes: 1442 chegados à meta dos 15 Km, para além de umas boas centenas de participantes na caminhada. 
 
Com a habitual organização da U.S.L./CGTP-IN, a prova esteve quase perfeitamente bem, com uma excelente sinalização, não tão boa marcação de quilómetros, excelente segurança com o trânsito totalmente cortado, suficientes abastecimentos de água, prémios de presença satisfatórios (t-shirt e medalha), boa organização na partida e chegada em meta digna, controlo por chip, entrega de dorsais eficaz, inscrições fáceis, classificações disponibilizadas on-line com rapidez, e a nota menos positiva, é a inexactidão da distância anunciada, apesar  de anunciada como certificada (?) pela CNEC/FPA. Claramente a prova não tinha 15 km, tendo provavelmente contribuído para isso, as obras na Baixa e a não passagem pela Praça do Comércio.
 
Apesar deste senão, eu saí de lá muito satisfeita pela organização mas claro que ouvi reclamações de atletas porque não havia bebidas isotónicas, porque não havia massagens, porque a t-shirt era de algodão, porque a medalha era pequena, porque estava a chover e simplesmente porque sim. Para mim, por EUR 3,00 fizeram um EXCELENTE trabalho, e dou-lhes os meus sinceros parabéns, tendo já marcado mentalmente a minha agenda de 2013 no dia 1 de Maio. Porque será?
 
Ana Pereira
 

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domingo, 9 de agosto de 2020 – 20:37:43

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