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Tributo a Mário Moniz Pereira

Moniz Pereira
O eterno “Senhor Atletismo”


O palco do Teatro da Trindade em Lisboa, foi desta vez o escolhido para homenagear uma figura há muito sobejamente conhecida dos portugueses, e de todo o mundo ,pelas muitas conquistas conseguidas não só no desporto , mas também como autor de letras e música para muitos fados e canções.
 
Estamos a falar de Mário Alberto Freire Moniz Pereira, 90 anos de idade ( Lisboa,11/02/1921) ou seja, o Prof. Moniz Pereira .
 
Entendeu a Fundação Carlos Lopes, conjuntamente com o Teatro da Trindade e a Fundação Inatel, prestar-lhe uma homenagem em forma de tributo, pelo tanto que deu ao País e continua a dar-lhe, e que, segundo o próprio, tem muito orgulho em ser português.
 
Homem de muitas facetas, praticou andebol, futebol, basquetebol, hóquei em patins, ténis de mesa, voleibol, e, claro está , atletismo.
 
É licenciado em Educação Física pelo I.N.E.F. tendo marcado presença em 12 Jogos Olímpicos, em 13 Campeonatos da Europa e 21 Campeonatos do Mundo de Cross.
 
Várias vezes condecorado com os mais altos galardões nacionais e estrangeiros, recebeu em 2001, em Moscovo, o Emblema de Ouro da Associação Europeia de Atletismo .
 
Alguns dos maiores valores da nossa música interpretam-na a partir de temas originais de Moniz Pereira.
 
À homenagem a este Homem (com H grande) quiseram associar-se, além de outros, Carlos Lopes, Rosa Mota, Laurentino Dias, Tó ZÉ Brito, gente anónima, amigos, e artistas conhecidos, como José da Câmara, que cantou o fado “Eu cá por mim gosto mais”; Maria Armanda,”Os Loucos”; António Pinto Basto “Se nós soubéssemos”, Rodrigo “Tenho vergonha”, Tino Costa,” Moniz Mix”, (acordeão) Carminho,( neta de M.P.)”Leio nos teus olhos”, António (neto de M.P.) “Penso em ti” , Joana Amendoeira, “ Meu amor é Primavera”.
 
Bonga, que não fazia parte do programa, mas assim que soube desta homenagem quis marcar presença, cantando “Uma lágrima no canto do olho”tendo actuado na segunda canção ao lado de uma bailarina, também ela, africana, o que provocou alguma animação na sala. Carlos do Carmo, a contas com o seu estado de saúde, não pode comparecer mas enviou uma mensagem de felicitações.
 
O espectáculo teve como apresentador, Júlio Isidro, comunicador nato, e que tão bem sabe dirigir um acontecimento deste género, ao ponto de “falar “ com os espectadores ,e não, o de apenas dizer quem se segue! Teve mesmo a originalidade de contar como foi um dos seus primeiros treinos, isto já há dezenas de anos, num campo impreparado para o atletismo, e que depois de ter comido 18 croquetes de camarão e ao fim dos primeiros 400 metros de prova, os ditos camarões saíram por onde entraram. Simplesmente horrível!
 
Após algumas actuações musicais e de um curto intervalo, foi a vez de passar à cerimónia, propriamente dita, sendo projectado no ecrã um filme chamando a atenção o que foi o percurso de Moniz Pereira e também o de Carlos Lopes, realçando todo o trajecto desportivo destes dois grandes senhores do atletismo.
 
Finda a projecção do filme, passou-se aos discursos habituais tendo aberto a sessão o Dr. Aureliano Neves, Vice-Presidente do S.C.Portugal que enalteceu a qualidade destas duas pessoas, inultrapassáveis e insubstituíveis. Tó Zé Brito, da Soc. Port. de Autores, recordou a maneira de como conheceu o Prof. a partir de um dos companheiros do Quarteto 1111, que era o António Moniz Pereira, primo do Prof. Moniz Pereira, e isto veio a acontecer num encontro combinado para escrever letras de canções para o Carlos do Carmo, e, mais adiante, salienta... a força e vontade de viver, a alegria deste fantástico homem que tenho junto a mim neste dia especial.
 
Laurentino Dias, Sec. de Estado do Desporto, “brincou” com a situação, afirmando que o "Prof. Moniz Pereira já recebeu do Estado Português todas as Comendas possíveis, pelo que hoje não lhe trago mais nenhuma. Mas trago, isso sim, um grande agradecimento pelo que o Sr. fez, e faz, e “obrigando” o Carlos Lopes a elevar no mastro a bandeira de Portugal naquela louca corrida em Los Angeles Nessa altura ,todos, ou quase todos, choramos de alegria."
 
Seguiu-se o homenageado, relatando as peripécias por que passou, exigindo sempre enquanto treinador, todo o empenhamento nos treinos e nas competições, fizesse sol, chuva , frio ou calor, ou até um terramoto, palavra que um atleta não entendeu como poderia treinar nesta situação, e que o Prof., imediatamente lhe esclareceu: corre-se para baixo!
 
Moniz Pereira é sem dúvida um bom conversador, e por até pede ( inúmeras vezes) para não o deixarem falar mais, pois nestas situações perde-se e nunca mais se cala! Critica , embora suavemente, certa imprensa desportiva, pois diz, “a grande maioria dos artigos publicados são sobre o futebol, menosprezando as outras muitas modalidades”.
 
Elogia sempre que pode esse atleta que foi Zatopek, companheiro de competição em vários Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo e Campeonatos da Europa, esse homem escreveu num seu livro que...nunca consegui nada senão pelo trabalho constante!
 
Zatopek ,é para ele, Moniz Pereira, um símbolo do querer, como o é para nós, Moniz Pereira, um exemplo de Homem, de Atleta, de Treinador, de Marido, de Avô e de tudo o que vemos neste Homem que gosta de viver um dia de cada vez.
 
Minutos antes de começar este evento, cruzei-me com o Prof. no hall do Teatro, e em jeito de brincadeira soletrei-lhe as seguintes palavras: Então Prof. , mais uma homenagem?
 
É verdade! Espero que não seja muito exagerada!!!
 
Posso –lhe dizer agora que não foi de maneira nenhuma nada exagerada e.......VALEU A PENA!
 
E é este o título do fado escrito pelo Prof., que a fadista Maria da Fé encerrou o TRIBUTO A MONIZ PEREIRA
 
José Carlos Pinto

  


 

sexta-feira, 20 de julho de 2018 – 01:04:50

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