Vão ser inauguradas 2 exposições de fotografia no Mira Fórum

No próximo sábado, 11 fevereiro, pelas 16h, inauguram 2 exposições de fotografia no Mira Forum:
 
- “Nelayan: Vontade em Trânsito” de Eduardo Martins
- “A Ideia de Álvaro Siza - Piscina das Marés” de Mark Durden e João leal
 
“Nelayan: Vontade em Trânsito” reclama um olhar contemporâneo sobre a paisagem humana de Caxinas, em Vila do Conde, detentora da comunidade piscatória com maior expressão em Portugal. Visa, assim, contribuir para uma atualização dos documentos visuais do lugar e dos novos ´actores` que o habitam, inserindo-os naquilo que é um fenómeno transnacional.
 
À semelhança de outros pontos do globo, a realidade de Caxinas é definida pela migração paralela: os pescadores locais saem para o estrangeiro e migrantes, oriundos na sua quase totalidade da Indonésia, maioritariamente de Java, parcela do território com altos níveis de desemprego, são contratados para suprir a falta de mão-de-obra, também acentuada pelo desinteresse das novas gerações pela atividade. Este movimento resulta das condições económicas inerentes à atividade, pautada por um imperativo de redução de custos e baixos salários. Nos últimos anos, os armadores de Vila do Conde têm recorrido de um modo significativo à contratação de pescadores indonésios (Nelayan significa pescador em indonésio) para manter a frota de pesca artesanal da região. Sem eles, uma comunidade minoritária, metade da frota de barcos de pesca artesanal deixaria de operar.
 
Atualmente, pelo menos 500 pescadores da Indonésia estão sediados em Vila Conde e representam mais de 50% da força de trabalho deste sector. São gente movida pelo sonho de proporcionar à sua família melhores condições de vida. Vêm pela vontade de ultrapassar fronteiras geográficas e expandir o seu universo interior. São também eles os novos agentes da transformação económica e social desta paisagem, cujo imaginário se encontra ainda muito associado à literatura e criação áudio-visual do passado. Neyalan, apesar de ser um substantivo, define sobretudo uma acção, a de viver o presente como prólogo do futuro.
 
www.eduardo-martins.com
 
NOTA BIOGRÁFICA
Eduardo Martins (Viseu, 1982) é fotógrafo documental e reside atualmente no Porto. Estudou Fotografia na ETIC (Escola Técnica de Imagem e Comunicação), em Lisboa; Fotojornalismo e Iluminação no CENJOR, em Lisboa, e licenciou-se em História da Arte, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
 
Depois de ter feito um estágio no jornal diário Público, em 2001, trabalhou no jornal A Capital entre 2002 e 2004. Entre 2005 e 2015 trabalhou como fotógrafo freelancer para o mercado editorial. Foi colaborador regular e diário do jornal “i”, desde a sua fundação, em 2009, até 2015. Entre 2016 e 2021 trabalhou e residiu em Macau, tendo integrado a redação do jornal diário Ponto Final e da revista Macau Closer (revista mensal de arte e cultura); foi lead photographer da revista mensal High Life e fotógrafo oficial do Festival Literário de Macau - Rota das Letras, entre 2016 e 2020.
 
Ao longo dos anos tem desenvolvido reportagens e trabalho documental, debruçando-se sobre questões de identidade, religião, cultura e direitos humanos. A título de exemplo, realizou uma reportagem com sobreviventes do regime do Khmer Rouge, no Cambodja; um projeto documental no Bairro Português de Malaca, o Kampung Portugis; ou a cobertura em permanência dos violentos protestos pró-democracia que ocorreram em Hong Kong em 2019.
 
Desde 2021, dedica-se à fotografia documental sobre o fenómeno das pescas em Portugal, com particular interesse pelas temáticas da migração (humana e técnica) e sustentabilidade.
 
Apoios: DGARTES | MIRA FORUM | Museu Marítimo de Ílhavo | Associação Cultural Bind'ó Peixe
 
“A Ideia de Álvaro Siza - Piscina das Marés” de Mark Durden e João leal
 
Desde 2017, Mark Durden e João Leal, trabalham em colaboração num projeto de fotografia da arquitetura modernista europeia, tendo começado o projeto com as obras de Álvaro Siza.
 
“A arquitetura, em particular a arquitetura modernista mais tardia, sendo suscetível à decadência e à erosão, está fisicamente a mudar. As nossas fotografias da Piscina das Marés de Álvaro Siza foram feitas ao longo de cinco anos. Era importante que pudéssemos mostrar tanto o processo de restauração e alteração a que a obra foi sujeita nos últimos anos, quanto a relação entre os materiais utilizados e o magnífico cenário natural, em constante mudança, onde as estruturas se inserem.
 
Temos desenvolvido trabalho em resposta à arquitetura de Siza desde 2017 e o que mostramos nesta exposição resultará no terceiro volume ‘Scopio Newspaper’ que produzimos sobre o seu trabalho (a sair em junho de 2023)1.
 
Não somos arquitetos e chegamos relativamente tarde ao mundo da arquitetura. A nossa abordagem é feita enquanto artistas e colaboramos a partir da dupla perspetiva das nossas práticas artísticas pessoais.
 
As fotografias que John Szarkowski fez à arquitetura de Louis Sullivan têm uma particular influência no nosso trabalho, ao ponto de adaptarmos para este projeto o título do livro de 1956 de Szarkowski: The Idea of Louis Sullivan. Szarkowski afirmou que estava interessado tanto nos ‘life facts’ como nos ‘art facts’ das obras de arquitetura. Esta questão foi incorporada na sua abordagem, ao enquadrar deliberadamente a arquitetura de Sullivan com a vida das ruas que a envolvem. Szarkowski apresenta três ou quatro fotografias a preto e branco de cada edifício. Nós apresentamos mais, e são imagens a cores e duracionais. Esta relação duracional com a arquitetura é importante numa época e cultura de excesso de imagens, velocidade e transitoriedade.
(…)
O tempo é central para a fotografia. A fotografia é do momento, do instante, e nas nossas imagens estamos conscientes dessa condição, que transparece nas sombras que se projetam nas estruturas e na nossa perceção de como a aparência das obras é mutável sob diferentes luzes e em diferentes épocas. As imagens desta exposição (e da subsequente publicação) enfatizam as imensas mudanças que se podem observar quando a construção é olhada num dia enublado ou num dia de sol ou quando as marés e o constante movimento da água a envolve.
(…)
Uma das nossas simples descobertas ao fotografar a arquitetura de Siza, é a forma como as estruturas modernistas nunca estão em branco. A parede branca é animada por sombras projetadas, superfícies brutalistas deterioram-se e ficam desgastadas de uma forma belíssima. Ao nosso olhar, isto transforma-se numa espécie de ornamentação.
 
A arquitetura pode ser trazida para o mundo contingente através da forma como se mostra o seu contexto e, como no caso de algumas fotografias de Szarkowski, através da relação que estabelece com a rua e com as pessoas que utilizam os edifícios.
 
Este contexto encerra a arquitetura num determinado tempo e contraria um desejo de a idealizar e separar do mundo real. Por muito que possamos mostrar as construções enquadrada no seu contexto, ainda pensamos que, na nossa fotografia, existe alguma reverência, e um reconhecimento de que há algo de sublime e transcendente na nossa experiência da arquitetura. Isto tem muito a ver com a sua forma e com a experiência da forma para lá da função.”
 
Liverpool (RU) / Porto (PT) | Janeiro 2023
 
Mark Durden e João Leal
 
NOTAS BIOGRÁFICAS
 
Mark Durden é escritor, artista e professor. As suas publicações incluem 'The Routledge Companion to Photography Theory', co-editado com Jane Tormey (Routledge 2019), 'Photography Today' (Phaidon, 2014), que foi posteriormente traduzido para francês, espanhol, turco e chinês, 'Fifty Key Writers on Photography' (Routledge 2012), que foi traduzido para chinês e farsi. Juntamente com David Campbell e Ian Brown, faz parte do coletivo de artistas Common Culture. Foi curador de várias exposições sobre arte e consumismo e arte e comédia com David Campbell: 'Variable Capital' no Bluecoat Liverpool em 2008, e 'Double Act' que foi lançado no Bluecoat Liverpool e no MAC Belfast em 2016 e depois adaptado para uma exposição nos Açores em 2017. Atualmente é Professor de Fotografia e Diretor do 'European Centre for Documentary Research' na University of South Wales, no Reino Unido.
 
João Leal é artista e professor. Participa em exposições individuais e colectivas desde 2001. Desenvolve trabalhos utilizando imagens em movimento, estáticas e som que se apresentam no formato de exposição, projeção e instalação.
 
Enquanto artista tem como principais interesses as ideias de “estrutura” (e as suas várias conotações), a dicotomia “proximidade / distância” e as formas de ocupação do espaço expositivo. Em 2005 venceu, ex-aequo, o Prémio Pedro Miguel Frade, do Centro Português de Fotografia, com o trabalho “Night Order”. Em 2018 venceu o prémio aquisição da XX Bienal de Cerveira, com o trabalho "Where Am I"
 
Doutoramento em Artes Visuais ('practice based' em instalação, fotografia e videoarte) pela University of South Wales em ligação com o European Centre for Documentary Research. Trabalhou nos Teatros Nacionais São João e D.Maria II, na RTP televisão portuguesa e na “Casa da Música”. É Professor no Departamento de Artes da Imagem P.Porto |ESMAD e membro do CEAU | AAI - Grupo de Investigação em Arquitetura, Arte e Imagem e unidade de investigação da UNIMAD.
www.joaoleal.pt
 

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