
(Receber a medalha e o certificado na cerimónia pelo Mestre Fábio Bueno)
O mestre Vitor Gomes, residente e professor de artes marciais em Chaves, pela segunda vez em pouco tempo foi contemplado no Livro dos Grandes Mestres de Artes Marciais. Este livro regista o mestre, o seu percurso, a disciplina que representa entre outros detalhes. Acaba por ser uma publicação elitista em que deverão constar os melhores ou representantes dos melhores mestres de cada Arte Marcial ou desporto de combate.

(Livro da edição de 2025)
Vitor Gomes, representa a Luta Tradicional Portuguesa, também conhecida por Luta Galhofa, uma tradição milenar que está a morrer, se não houver interesse em quem queira “receber a pasta”, vai desaparecer.

(Livro da Edição de 2022)
Na anterior edição do livro em que Vitor Gomes consta no livro, não pode constar na cerimónia de gala em S. Paulo, no Brasil, onde se entregou os livros a cada mestre participante. Desta vez conseguiu ir, visitou um Grande Mestre de uma Luta corpo-a-corpo enviado de Portugal para o Brasil há muitos anos, Mestre Adriano Silva, pelo Mestre Rui de Mendonça. A arte marcial era Ruy San Ryu, mas depressa os praticantes brasileiros tornaram o nome mais simples, com todo o respeito pelo mestre seu criador.

AMMA: Vitor, o que te leva a ser nomeado em duas edições seguidas do mesmo honroso livro onde constam os nomes dos mais conceituados mestres actuais?
Vitor Gomes: Todo o trabalho que tenho feito pela preservação da Luta tradicional Portuguesa a Luta Galhofa.
AMMA: O que fez com que não tivesses presente na edição passada? Falta de fundos?
VG: Sim, na edição de 2022 e também no livro Black Belt da edição de 2023, que foi a 2º edição, Foi impossível participar, por falta de recursos e apoios. Desta vez fui, mas fazendo muito sacrifício, pois apoios quase 0.
AMMA: Nestas situações em que portugueses deixam de ir representar Portugal no estrangeiro, quem poderia ter um fundo monetário transversal ao desporto, cultura, etc.
O que achas?
VG: Concordo plenamente, aliás, federações, Municípios, IPDJ e mais entidades deveriam apoiar mais atletas que vão representar ou receber um prémio internacionalmente. Mas o mais revoltante é que muitas das vezes nem em Portugal são reconhecidos como deveriam, infelizmente e em outros países dão o devido valor e reconhecimento.
AMMA: Quando soubeste que foste mais uma vez nomeado para o livro, o que sentiste? Alegria por ter sido escolhido e ao mesmo tempo ansiedade por não saber se poderias estar presente?
VG: Claro que sim, muita alegria, uma honra e uma incerteza de não saber se poderia estar presente em tão fantástica cerimónia. Ansiedade não, mas como já é um hábito muitas das vezes não se participar em eventos importantes por falta de orçamento, ou é ou não é, mas incertezas muitas infelizmente.
AMMA: Quando percebeste que podias estar presente no evento, na Gala de entrega dos livros e diplomas, o que sentiste?
VG: A vontade de estar presente era muita e tive todo o apoio da minha mulher, pois foi ela que me incentivou para ir. Quando lhe disse: Susana vai ser mais uma vez que não poderei estar presente num evento de renome como este, devido a não ter apoios, ela disse para ir na mesma e fazia se um esforço no orçamento familiar e sim o apoio que tive foi a família sem esse apoio não teria estado novamente no evento. Agradecer também ao Mestre Fábio Bueno e a esposa Elaine que são os organizadores do evento, ao Mestre Adriano Silva e a esposa Nice, ao Mestre Nelton Góis e ao seu irmão José Elton, ao Mestre William do projeto Buscapé um trabalho fantástico com crianças e com a Polícia Militar e agradeço também a todos os Mestres do Contato Total e os que conheci também no evento dos Grandes Mestres.
AMMA: Apanhas o avião para S. Paulo, passas uns dias com o Mestre Adriano Silva,
treinaste com ele. O que aprendeste com ele, para além da técnica?
VG: Uma experiência única de estar com uma verdadeira Lenda viva, aconselho vivamente a quem pratica artes marciais a ter essa experiência. Em conversa com o Mestre Adriano Silva durante os 5 dias que estive com ele. O Mestre decidiu fazer o mesmo com qualquer atleta ou Mestre/Treinador que queira passar por essa experiência, abrindo turmas na média de 6 elementos para passarem uns 3 dias de treino intensivo. Dividindo os grupos interessados em inicial onde tem um treino fisico mais leve e o avançado aí o treino duro e para atletas que queiram competir ou a dureza do desporto.
VG: O Contato Total é o que o próprio nome diz Contato Total ou seja é basicamente o pai do MMA, nos finais dos anos 80 e inicios de 90 falava se muito do Vale Tudo, mas o Contato Total ainda é mais antigo e é isso mesmo o que faziam no Vale Tudo e sim com técnicas de sobrevivência no mato também, pois nos anos 70 e creio que já nos 60 os militares utilizavam essa forma de luta.

AMMA: Chega-se o Grande dia... a Gala. Muito nervoso? Quando te chamaram sentiste algo no coração por estar a representar Portugal, sem ajudas, mas sempre com patriotismo?
VG: Muito orgulho e honra e toda a cerimónia estive na mesma e honra com mais 6 Mestres a nível Mundial, a cerimónia durou mais de 3h com a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo repleta. Quem estava na mesa foram os primeiros a ser contemplados, eu fui o segundo de tantos Mestres que estavam no evento, foi muito gratificante toda essa experiência.
AMMA: Para ti foi uma grande honra estes dias, e para além do mais, conseguiste trazer exemplares da primeira edição e desta, algo que pensavas que estava perdido. Agora a Biblioteca Municipal de Chaves já tem um exemplar de um livro que enaltece o trabalho de um habitante que trabalha arduamente para que a Luta Tradicional Portuguesa não acabe, mas se acabar, fique documentada.
VG: Cada exemplar fica a quarenta e pico euros sem portes, eu decidi oferecer os exemplares aos atletas que saem no livro e claro ofereci ao Presidente da Câmara Municipal de Chaves, Dr. Nuno Vaz, não sei se ele irá querer colocar os livros na Biblioteca Municipal, pois a oferta foi para ele diretamente, entreguei também ao presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior de Chaves, Dr. Hugo Silva, pois aparece no livro como atleta e a junta deu uma pequena contribuição, que ajudou a comprar os livros.
AMMA: Para documentar a Luta Galhofa, como também é chamada, mais uma vez é necessário fundos, para investigação, concepção do livro e de um documentário. Já se pediu ajuda a várias instituições, mas até agora não se consegue nada. Não vais baixar os braços?
VG: Claro que não, é um projeto de anos, que tem sido adiada, mas acredito vivamente que em 2026 o livro estará disponível e para venda.
AMMA: Voltando à Gala e do Livro dos Grandes Mestres de Artes Marciais, há perspectiva para uma terceira nomeação? Se houver, pretendes ir de novo?
VG: Fui tratado como um Rei pela organização, obrigado ao Mestre Fábio Bueno e a esposa Elaine e de todos os Mestres que estavam no evento, tendo convites para fazer eventos ou seminários não só no Brasil, que é enorme, pois havia lá Mestres de todo o Brasil, mas convites também do Chile, Argentina, Cabo Verde EUA, México, Itália, Alemanha, Espanha, Suíça, Polónia, etc etc. Mas sem dinheiro é muito difícil fazer qualquer coisa. Na edição de 2026 já fui convidado e parece que sim que querem que volte a ser contemplado.
AMMA: Umas palavras de uma pessoa que não desistiu e conseguiu superar o quase impossível, com poucos fundos, consegue ir ao estrangeiro representar uma tradição portuguesa. O que tens para deixar como dica?
VG: O que tenho a dizer é que é incompreensível que os meios de comunicação social, pelo menos da região, não tenham falado nem antes nem depois do evento e já regressei do evento a 3 semanas, ou seja nem apoio de divulgação do prémio quando digo que não há apoios, não é só monetário, mas infelizmente não é só comigo é com muitos atletas, talvez se calçasse umas chuteiras já falassem um pouco, mas agradeço à AMMA Magazine pelo interesse em fazer esta entrevista. Para jovens e menos jovens só tenho a dizer: Se tens um sonho o único a fazer é acordar...... Pois se acordamos é sinónimo de estarmos vivos e tudo é possível, basta acreditar e nunca desistir. Se com 50 anos eu me sinto um jovem e realizo o que sonho, os jovens e menos jovens podem fazer o mesmo é só acreditarem em eles próprios e dar o devido valor, temos que ser nós os primeiros a acreditar em nós e a dar o devido valor.





















