
Realizou-se esta quarta-feira, no Auditório da Câmara Municipal de Torres Vedras onde estiveram presentes várias Entidades Militares e Civis que de alguma forma estão ligadas a este projeto.
A Vice-Presidente da Rota Histórica Linhas de Torres e Vice-Presidente da Câmara Municipal da Câmara de Torres Vedras – Ana Umbelino salientou a importância de manter viva a memória deste património turístico - militar.
Foi recordado o importante sistema defensivo, construído há 200 anos, constituído por três linhas defensivas entre o Tejo e o Atlântico com a participação da população lusa.
Esta competição relembra a história das Linhas de Torres e envolve além dos muitos atletas nacionais, também atletas militares de vários Países que se juntam desta forma a estas comemorações.
Tendo a preocupação de mostrar aos mais jovens a história de Portugal Rui Menezes Machado – Coordenador Nacional do Desporto Escolar – trouxe para a competição cerca de 200 jovens alunos de várias escolas dos vários concelhos envolvidos. A prática desportiva dos mais jovens, salientou o dirigente, é fundamental para que se construa uma sociedade mais justa e mais saudável.
O Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo – Paulo Guerra – um atleta de excelência em corta-mato - destacou a importância do crescimento do Trail a nível nacional sendo sem dúvida uma boa forma de ter uma forte aprendizagem também da história de Portugal.
A Direção Geral dos Recursos da Defesa Nacional representada pela Subdiretora – Dra. Cristina Pinto que salientou a importância de a diversidade de opções para os atletas poderem participar e também a internacionalização da prova com resultados de excelência em edições anteriores dos militares lusos. Também neste dia serão feitas várias ações com os mais jovens no âmbito do Dia Defesa Nacional.
A Associação de Deficientes da Forças Armadas, esteve presente com Cândido Patuleia Mendes em representação do seu Presidente. Com uma enorme capacidade de resumo histórico a que não faltou algum sentido de humor, Patuleia Mendes recordou os 200 anos das Linhas de Torres e a forte, organização e vontade que sempre caracterizaram os militares portugueses.
O Brigadeiro-General Rui Pina, Diretor de Finanças do Estado Maior General das Forças Armadas salientou a importância de seis Concelhos continuarem ligados por uma prova tão nobre e que recorda um dos momentos grandes da história de Portugal que é muito querido para as Forças Armadas.
O evento “Trail Linhas de Torres - 2025” é um conjunto de provas de corrida, essencialmente de trail e com alguns percursos em estrada.
A primeira edição realizou-se em 2013, tendo como grande objetivo homenagear não só aqueles que construíram este sistema defensivo no século XIX, mas também os que aqui defenderam e garantiram a independência do Reino, sendo hoje um importante património turístico-militar de Portugal, conhecido como Linhas de Torres, inserido nos concelhos deArruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.
O Ministério da Defesa Nacional lidera novamente a edição deste ano, que se irá realizar no próximo dia 22 de março de manhã, em parceria com o Estado-Maior General das Forças Armadas, a Rota Histórica das Linhas de Torres, a empresa Xistarca e a Associação de Deficientes das Forças Armadas – entidade beneficiária da totalidade dos proveitos, para, em conjunto, se concretizar uma atividade do foro desportivo, do turismo e do lazer.
As competições, em sede do Desporto Militar, integram equipas da Marinha, do Exército, da Força Aérea, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública, concorrendo para o desenvolvimento e promoção de um quadro competitivo desportivo militar. Teremos por um lado, uma competição nacional de trail e por outro, no seu expoente maior, uma competição da seleção nacional militar com seleções de outros países, dando continuidade à internacionalização do evento, pelo quarto ano consecutivo, no âmbito do CISM – Conseil International du Sport Militaire, do qual Portugal é membro desde 1956:
- Campeonato Nacional Militar de Trail;
- CISM Military Challenge Trail Marathon Championship.
Os atletas que cumprem o Maratona Trail - 50km partem do Palácio Nacional de Mafra às 8h30 em simultâneo com a Estafeta mista de 4 elementos - 50 km, a Corrida Trail - 10km tem início às 9h30 em Torres Vedras e a Caminhada - 6kms tem lugar na Tapada Militar de Mafra pelas 9h00.
Esta competição conta também com a presença de jovens atletas enquadrados pelo Desporto Escolar, em representação de várias escolas, sendo que os alunos terão um percurso próprio de acordo com o escalão a que pertencem – Benjamins, Infantis, Iniciados e Juvenis.
A diversidade organizativa e de participantes levou ao desenvolvimento de sinergias assaz pertinentes no sentido de relevar, junto dos jovens, o desporto e as Forças Armadas. Ao nível da Defesa Nacional intervêm a Comissão de Educação Física e Desporto Militar, o Dia da Defesa Nacional e o Turismo Militar, através da Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional, e o Estado-Maior General das Forças Armadas no apoio técnico e logístico. A Direção Geral da Educação, no âmbito do Desporto Escolar, dá a sua prestimosa colaboração, incentivando os jovens das escolas dos concelhos da “rota histórica” a participarem no percurso a eles destinado. Também colaboram, para o sucesso deste evento, a Federação Portuguesa de Tiro, a Federação Portuguesa de Esgrima, a Tapada Nacional de Mafra e a Associação de Cultura e Recreio 13 de setembro de 1913.
É expectável que neste Trail Linhas de Torres 2025 estejam presentes cerca de 500 atletas.
UM DESAFIO HISTÓRICO
Há duzentos anos, este importante sistema defensivo, constituído por três linhas defensivas, estendia-se entre o Tejo e o Atlântico por dezenas de quilómetros traçados pelo Marechal Wellesley (mais tarde Duque de Wellington).
Atualmente, fomentando o carácter cultural e, também, desportivo, promove-se a sua visita daquele que foi o maior e mais eficaz sistema defensivo construído na sua totalidade com a participação da população, gente anónima, na defesa do seu País dando a conhecer os diferentes espaços museológicos e interpretativos desenvolvidos pela Rota Histórica da Associação das Linhas de Torres.
As Linhas de Torres Vedras foram um sistema militar defensivo, erguido a norte de Lisboa, entre 1809 e 1810. No mais profundo secretismo, o futuro duque de Wellington, traçou uma estratégia de defesa que consistiu em fortificar pontos colocados no topo de colinas, para controlar os caminhos de acesso à capital de Portugal, reforçando os obstáculos naturais do terreno. Este sistema, constituído por três linhas defensivas, estendia-se entre o oceano Atlântico e o rio Tejo, por mais de 85 km.
Quando concluído contava com 152 obras militares, armadas com 600 peças de artilharia e defendidas por cerca de 140 000 homens, tornando-se no sistema de defesa mais eficaz, mas também o mais barato da história militar.
Frente a elas decorreram, em outubro 1810, os combates de Sobral (12), Dois Portos (13) e de Seramena (14). Estes confrontos decisivos, entre as tropas francesas e o exército anglo-luso, foram também os mais curtos e menos sangrentos desde que o exército napoleónico invadiu Portugal.
Depois deles, as tropas de Napoleão perderam o ímpeto atacante, reconhecendo a intransponibilidade das Linhas de Torres Vedras enquanto aguardavam reabastecimentos e reforços que não apareceram, graças à ação de “guerrilha” portuguesa.
A 15 de novembro de 1810, o marechal Massena ordena a retirada das tropas francesas, tendo início a derrota de Napoleão Bonaparte, concretizada a 18 de junho de 1815 na batalha de Waterloo.
Napoleão passou os últimos seis anos de sua vida confinado à ilha de Santa Helena e a Europa encetou um novo ciclo na História.
Site oficial: www.traillinhasdetorres.pt