Peniche recebe amanhã e domingo a terceira edição do Campeonato Nacional de Surf da Ucrânia. Uma iniciativa heroica da Federação Ucraniana de Surf com a colaboração da Federação Portuguesa de Surf e Peniche Surfing Clube, que está a ser preparada desde Setembro do ano passado, data dos primeiros contactos do presidente do surf ucraniano, Vasyl Kordysh, com o homólogo português, João Aranha.
“Contactámos a Federação Portuguesa e o João [Aranha] para nos ajudar a organizar o campeonato em Portugal porque sabemos que é a mais forte da Europa. Antes deste, tivemos campeonatos em 2018 e 2019. Em 2020 fomos obrigados a parar pela pandemia, e depois, em 2022, fizemos um evento ‘online’ para selecionar uma equipa para levar ao Mundial ISA. Mas para 2023 queríamos fazer uma prova novamente e Portugal, pela competência da sua organização e pela amizade que tenho com o seu presidente, era o local certo para o fazer”, explica Vasyl Kordysh, acrescentando: “A ajuda da FPS foi fundamental e ainda nos cede os juízes e o sistema informático. Não tenho palavras que cheguem para agradecer.”
Presidente do surf ucraniano desde a fundação da federação, em 2018, Vasyl Kordish não poderá estar em Peniche. Como todos os homens ucranianos em idade militar, o líder federativo diz que está à espera de ser recrutado para a frente de batalha “a qualquer momento”: “Posso ser chamado para defender o meu país a qualquer momento e isso, confesso, cria muita ansiedade. Mas estou concentrado em organizar este campeonato, só isso interessa neste momento, até porque não sabemos quantos anos a guerra ainda durará. E mesmo que acabe amanhã, o mar está cheio de minas e poderá demorar 5 anos a ser limpo antes de podermos voltar a surfar aqui.”
Isso implica que o Nacional ucraniano será disputado por uma mistura de atletas da diáspora ucraniana nos EUA, Indonésia e Portugal mais os surfistas que saíram da Ucrânia pouco antes da guerra eclodir. “Eu tinha acabado de chegar de uma surf trip quando a Rússia invadiu. E agora não vou poder estar em Portugal a assistir ao fruto do nosso trabalho”, diz Vasyl Kordysh.
João Aranha, que foi contactado pelo presidente da federação ucraniana há alguns anos, pela internet, assume que não hesitou em ajudar: “Desde o primeiro momento que abraçámos a ideia em nome da solidariedade com o povo ucraniano e também pelo surf, que é a nossa causa comum. Os ucranianos merecem todo o nosso apoio e é com prazer que os acolhemos, sempre pensando que um dia poderão voltar a fazer o que mais gostam, nas suas ondas e em paz. Este é o nosso pequeno contributo para que isso venha a acontecer.”