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Viana do Alentejo: FICO - festival de ilustração e criatividade

 
- Viana do Alentejo, 16, 17 e 18 de maio
- Exposições, workshops criativos, concertos, feira de cerâmica…
- Mariana a Miserável, Mantraste, Bernardo Carvalho Kruella, Joana Lourencinho Carneiro, Mariana Malhão e Júlio Dolbeth entre os artistas 
 
 
Organizado pela Câmara Municipal de Viana do Alentejo, esta que a quarta edição do FICO conta com a presença de ilustradores de renome que vêm ao Alentejo dinamizar vários momentos ao longo dos três dias e participar nas demais atividades. Mariana a Miserável, Mantraste, Bernardo Carvalho (Planeta Tangerina), Kruella, Joana Lourencinho Carneiro, Mariana Malhão e Júlio Dolbeth são alguns dos artistas convidados.
 
O Festival acontece entre os dias 16 e 18 de maio, na pitoresca vila de Viana do Alentejo,  entre a Praça da República e o Castelo, e, ao longo destes três dias, o Festival conta com diversas atividades: workshops criativos,  como o workshop Raku (técnica de cerâmica japonesa, utilizada principalmente na fabricação de tigelas para a cerimónia do chá, que se caracteriza pela sua rapidez e imprevisibilidade);  Pisar o Barro, ministrado pelo Mestre Oleiro Feleciano Agostinho; Escultura Colaborativa, que, em formato workshop/vivência
 
sensorial,  propõe experiência imersiva de escultura participativa em barro; exposição; concertos com Edu Miranda, Milton Gulli, Tiago Bettencourt e Cantadores do Alentejo; além de Feira de Cerâmica e Olaria que acontece em todos os dias do evento (programação completa abaixo). 
 
“A designação “Olaria” define hoje um conjunto de técnicas para o fabrico manual de peças em barro. Em Viana do Alentejo - sede de concelho com mais de 5.000 habitantes - esta, corresponde a um dos elementos identificativos da paisagem cultural local, materializando-se na sua cultura com toda a tradição e conhecimento de gerações inculcados nos trabalhos manuais”, explica o mestre em Museologia Luis Banha.
 
O presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Luís Miguel Duarte, considera que o Festival “é mais uma forma de alavancar esta tradição, a olaria, que se tem vindo a perder ao longo dos anos”. O autarca lembra, ainda, que o concelho já teve “meia centena de olarias” e, hoje, são apenas dois os oleiros, Feleciano Branco Agostinho e Feliciano Mira Agostinho, a quem deixa um agradecimento por “não terem deixado morrer esta arte”.
 
Toda a programação se desenrola no eixo entre a Praça da República e o Castelo de Viana do Alentejo 
 
Todos os dias às 14H - Feira FICO - Feira de Cerâmica e Olaria, Rua Cândido dos Reis
 
Sexta-feira, 16 de maio
18:00 - Abertura oficial Praça da República
18:45 -  Inauguração exposição com peças de edições passadas do FICO
19:00 - Apontamento musical - Bruno Cramez
19:00 -  Workshop Raku – Conformação das taças Chawan, modelação, fretes e acabamentos - Miguel Neto 
22:00 -  Concerto - Edu Miranda Trio
 
Sábado, 17 de maio
10:00 -  Por Viana com os Urban Skechers – orientado por Gabriel Lagarto
10:00  - Workshop Raku – Enforna e chacota -  Miguel Neto
11:00 - Escultura colaborativa ** (orientado por Alice Diniz)
15:00 - Workshop de Olaria – Os ilustradores na Roda – orientado por Feleciano Agostinho
16:00 - Workshop Raku – Elaboração dos vidrados -  Miguel Neto 
17:00 - Ilustração de pratos – escolha do melhor “sketch” para transpor para um prato,
ilustração de pratos pelos ilustradores convidados Gabriel Lagarto e Feleciano Agostinho
17:30 -  Montagem de painel de azulejos com Mariana a Miserável
18:00 - Figuras de barro com Gabriel Lagarto
19:00 - Concerto - Milton Gulli
22:00 - Concerto Tiago Bettencourt (Castelo – Alentejo Encantado)
 
Domingo, 18 de maio
10:00 - Workshop Raku – Desenforna e deslocação para o local de cozedura, decoração das peças e cozimento das peças pela técnica raku -  Miguel Neto 
15:00 - Conversa sobre o futuro do artesanato – ilustradores, oleiros e ceramistas -  Conversa aberta a todos os participantes
16:00 - Cerâmica e natureza: azulejos inspirados pelas plantas do Alentejo por Helena Garcia
17:00 - Pisar o Barro com o Mestre Oleiro Feliciano Agostinho
18:00 - Workshop Raku – Desenfornamento das peças e apreciação dos resultados-  com Miguel Neto
18:30 -  Concerto de encerramento do festival - Cantadores do Alentejo
 
* Workshop orientado por Miguel Neto, limitado a 8 pessoas por momento (inscrições no momento do workshop)
** Atividade orientada por Alice Diniz, limitado a 25 participantes (inscrições no momento do workshop )
*** Atividade orientada por Helena Garcia (Alpiota Ceramics) com limite de 12 pessoas (inscrições no momento do workshop )
 
Sobre Workshop Raku: 
Raku é uma técnica de cerâmica japonesa, utilizada principalmente no fabrico de tigelas para a cerimónia do chá, que se caracteriza pela sua rapidez e imprevisibilidade. As peças são cozidas a altas temperaturas, retiradas do forno incandescentes e imersas em materiais combustíveis, como serradura, para queimar e criar um efeito de carbonização e fissuras que resultam em cores e texturas únicas.
 
Sobre a Escultura Colaborativa 
A dinamizadora Alice Diniz propõe uma experiência imersiva de escultura participativa em barro, em formato de workshop/vivência sensorial. Em forma de percurso, que é guiado pelo barro, que conduz cada participante numa jornada de descoberta interior, onde o processo criativo se dá pela manipulação da matéria. Este percurso é composto por três etapas, como um tripé, que abordam três vertentes essenciais: o eu, que descubro, os outros que me espelham e a ancestralidade que me suporta. 
 
No final da jornada, as obras individuais de cada participante serão montadas numa escultura por empilhamento, tornando-se assim uma escultura coletiva, compartilhada, e interagindo com o ambiente. Esta escultura, é uma proposta de arte efémera e será desmontada e o barro retorna ao disforme, cumprindo o ciclo de renovação e transformação. 
 
Alice Diniz é ceramista profissional desde 1990, iniciou o seu percurso com a criação de peças utilitárias e escultóricas, marcando presença em feiras temáticas e exposições. Paralelamente, abraçou a partilha de conhecimento, lecionando cerâmica a adultos, crianças e grupos com necessidades especiais. Atualmente, dedica-se sobretudo à criação por encomenda e à formação, partilhando técnicas e, acima de tudo, o prazer de explorar as infinitas possibilidades de expressão e construção que o barro oferece.
 
Sobre Cerâmica e natureza
Helena Garcia, ceramista de Alcáçovas, propõe-nos a realização de uma sessão com inspiração na Natureza e na primavera que culmina com a criação de azulejos inspirados pelas plantas do Alentejo.
 
CONCERTOS:
 
Edu Miranda
Um nome incontornável da música portuguesa e brasileira, com um percurso de já 22 anos. Discreto, o seu trabalho sempre foi valorizado por grandes nomes da música, com os quais conta com diversos trabalhos editados e em colaboração, como: Gilberto Gil, Mário Laginha, Maria João, Martinho da Vila, Filipa Pais, Pedro Jóia, João Afonso, Rui Veloso, André Sardet, Luís Represas, Isabel Silvestre, Real Companhia, Danças Ocultas e Amina Alaoui, além do trabalho que desenvolveu durante vários anos com o grande mestre da guitarra portuguesa António Chainho.
 
Milton Gulli
De ascendência moçambicana, nasceu e cresceu nos subúrbios de Lisboa em Portugal, Milton Gulli é um artista profundamente imerso nos sons lusófonos e na cena musical africana contemporânea de Lisboa. Apresenta-se regularmente com o seu projecto a solo, com o colectivo de afrobeat Cacique'97 do qual é fundador, e é um dos músicos que acompanha Selma Uamusse, Karyna Gomes, Batida e Prodígio. Foi membro das bandas Philharmonic Weed, Cool Hipnoise e The Grasspoppers.
 
Tiago Bettencourt 
Incluído na programação do FICO, este concerto realiza-se no âmbito do Festival Alentejo Encantado, organizado pela AMCAL, da qual o município de Viana do Alentejo é associado.
 
Cantadores do Alentejo 
Os Cantadores do Alentejo são cinco jovens, que têm em comum o facto de terem nascido no Alentejo e da música fazer parte da sua vida desde a infância. 
 
Nasceram, oficialmente, no concurso da RTP 1, “Got Talent” 2020, programa onde chegaram à semi-final. Até lá, juntavam-se em tertúlias informais e foi através do amigo e músico Jorge Benvinda que começaram a encarar a possibilidade de passarem do hobby, a uma vertente mais séria. Apesar de já terem tido várias experiências musicais e alguns ainda fazerem parte de outros projetos, a amizade que os une, a paixão pelo Cante e a vontade de inovar, leva-os a dizer que: “Vamos cantar Modas à nossa maneira e mostrar que o Cante pode ser interessante para todas as idades”.
 
Olaria e Viana do Alentejo - Tradição e história (por Luís Banha)
“À semelhança da arte chocalheira de Alcáçovas, hoje classificada pela UNESCO como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente, a olaria de Viana do Alentejo constituirá, como a sua História e os seus protagonistas tem vindo a provar, um contexto único em Portugal, onde a olaria e a cerâmica várias vezes cruzaram caminho, sob a égide do mais humilde dos oleiros (como o vianense Francisco Lagarto) e do mais conceituado dos artistas plásticos (como o portuense Júlio Resende).
 
Seguindo as vicissitudes da História Local, a olaria terá mantido a sua característica utilitária, com as formas que a nós chegaram e com outras que, entretanto, caíram em desuso ou se perderam na memória coletiva. Taças, pratos e jarros são apenas exemplos de uma produção que ainda hoje se mantém, mas que têm como exemplo maior o alguidar. Podemos deduzir que este tenha sido introduzido no catálogo das produções locais pelos árabes, aquando da sua ocupação da Península Ibérica (sécs. XVIII a XV). O alguidar de produção vianense destaca-se das produções dos restantes centros oleiros pelo seu bordo saliente, tornando-se desta forma mais ergonómico, e dai mais procurado.
 
Ao falar em trabalho do barro nesta vila alentejana, que em pleno século XIX tinha cerca de 22 olarias identificadas, teremos que associar a tradição oleira (fruto da transmissão geracional e familiar do conhecimento em contexto de oficina) do “barro verde” (grés – extraído da Herdade dos Baiões desde 1255) à tradição cerâmica, que por sua vez tem os seus alicerces na escola Médico de Sousa. Esta, fundada a 28 de outubro de 1893, constituiu uma escola-oficina onde se ensinavam praticamente todos os processos relativos aos ofícios do oleiro, forneiro de louça e pintor cerâmico. Sendo uma das primeiras escolas industriais do país, viria a enfraquecer o laço geracional da passagem familiar do conhecimento, uma vez que todos os inscritos teriam a oportunidade de aprender as técnicas do trabalho do barro, previamente circunscritas aos círculos familiares.
 
Procurando manter a sua identidade através de processos manuais de produção tradicional (roda de oleiro e ferramentas auxiliares da modelagem, normalmente de produção própria), indissociáveis de uma estrutura patriarcal e de uma economia familiar de pequena dimensão, a  olaria vianense debate-se ainda hoje com o crónico problema da falta de aprendizes e da ausência de um contexto económico-social que seja propício ao surgimento de novos espaços de produção. Os dois cursos de olaria, promovidos pela Câmara Municipal de Viana do Alentejo e o Instituto de Emprego e Formação Profissional entre 2017 e 2019, permitiram a transmissão do conhecimento, mas a presente conjuntura não se tem manifestado favorável ao surgimento de novos valores cerâmicos.
Luís Banha
 
Sobre o FICO
O Festival de Ilustração Criativa em Olaria, cuja 1ª edição foi em 2022, surge de uma colaboração entre a Câmara Municipal de Viana do Alentejo e a Passa Ao Futuro e teve origem numa residência criativa organizada em 2021, onde 4 ilustradores foram convidados a colaborar com as Olarias Feleciano Agostinho e Mira Agostinho, para que juntos desenvolvessem uma coleção de peças de olaria pintada contemporâneas.
 
Sobre Feleciano Branco Agostinho 
Feleciano Agostinho, filho de Oleiro, desde cedo, entrou em contacto com a arte. Para além da Olaria, Feliciano estudou pintura mural e desenho, na Escola Industrial que frequentou durante anos, mas a olaria era o seu ofício predileto. Acabou a escola em 1956, foi trabalhar com o pai até ir para a tropa e também depois de voltar à terra natal. Em 1982 abriu a sua própria oficina onde chegou a ter 14 pessoas a trabalhar com ele. Faziam alguidares, panelas, barris, vasos, alcatruzes, entre outros objectos. Foi nessa altura que contratou pessoas (essencialmente mulheres) para executarem a pintura tradicional, a faiança. Feleciano não pinta as peças que faz, mas, muito orgulhosamente, diz que foi ele quem desenhou os padrões que elas pintavam.
 
Sobre Feliciano Mira Agostinho 
Filho de Feleciano Branco Agostinho, representa a terceira geração de oleiros da família Agostinho tendo-se iniciado na arte antes dos 14 anos na companhia do seu pai e do seu avô. Para além da olaria estabelecida em nome próprio, Feliciano tem também trabalhado em formação numa lógica de transmissão dos conhecimentos e da sua arte. Tem sido um dos motores do FICO desde o primeiro momento, acolhendo os artistas e apoiando em toda a logística do festival.
 
 

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sexta-feira, 17 de abril de 2026

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