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Entrevistas
Artes Marciais
José Luís Montes Garrido: O legado de um grande Mestre de Artes Marciais
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José Luís Montes Garrido: O legado de um grande Mestre de Artes Marciais

José Luis Montes Garrido é uma figura de destaque internacional no universo das artes marciais, reconhecido pelo seu percurso como praticante, instrutor e impulsionador de sistemas de defesa pessoal avançados.
O seu caminho nas artes marciais teve início em 1977, onde começou por praticar Karate e Judo. Ao longo da sua evolução técnica, explorou e especializou-se em disciplinas de combate e percussão como o Kickboxing e o Muay Thai, consolidando a sua mestria no Tai-Jitsu.

Ao longo das décadas, tornou-se uma referência em sistemas de combate e defesa pessoal integral, com especial foco no Taiho-Jutsu (técnicas de imobilização e controlo) e no Krav Maga.
É o fundador da WISDA (World International Self Defense Association), uma organização dedicada ao ensino, desenvolvimento e difusão de técnicas de autodefesa à escala global.

O Mestre Montes Garrido acumulou diversas distinções de prestígio ao longo da sua carreira:
Great Masters of Martial Arts: Foi incluído na 16.ª edição do prestigiado livro mundial "Great Masters of Martial Arts", que celebra os maiores expoentes das artes marciais contemporâneas.
Em novembro de 2025, foi homenagiado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, no Brasil. Recebeu um certificado e uma medalha que reconhecem a sua "tenacidade, determinação, coragem e compromisso com as artes marciais", sublinhando o seu papel como educador pautado pela ética e pelos valores culturais.

É membro de diversos "Halls of Fame" internacionais, o que consolida o seu estatuto como um mestre de elite na comunidade marcial mundial.
Para além da vertente técnica e tática, José Luis Montes Garrido é reconhecido pela sua profunda dedicação ao ensino, promovendo a disciplina, o rigor e o respeito mútuo. O seu trabalho foca-se na preparação unindo a eficácia física à resiliência mental — capacitando os seus alunos para enfrentarem desafios quotidianos e situações de risco com dignidade e assertividade.

AMMA: Mestre, começou o seu percurso em 1977 com o Karate e o Judo. Olhando para trás, de que forma essas disciplinas clássicas moldaram a base do que é hoje o seu sistema de combate?
José Luis Montes Garrido: Sim, de certa forma são a espinha dorsal do meu sistema de defesa pessoal, visto que utilizo uma mistura de judo, karate, aikido e técnicas policiais de detenção.
AMMA: Mais tarde, evoluiu para o Kickboxing e o Muay Thai. O que o levou a procurar artes de percussão tão diretas e como é que elas complementam a suavidade e o controlo do Tai-Jitsu?
JLMG: Isto porque, quando a situação é muito grave ou envolve vários adversários, é bom aplicar as técnicas rápidas, eficazes e contundentes do kickboxing e do muay thai.
AMMA:Qual foi a principal lacuna que identificou no panorama das artes marciais que o levou a fundar a World International Self Defense Association?
JLMG:Embora todas as artes marciais sejam, por si só, boas para a defesa pessoal, penso que não existia uma que fosse completa. Por isso, a mistura de várias artes marciais resulta num método de defesa mais abrangente.

AMMA: No contexto da WISDA, como é que consegue equilibrar a tradição das artes marciais com a necessidade de técnicas práticas e eficazes para a realidade da violência urbana atual?
JLMG: De acordo com a minha experiência em viagens e cursos em diferentes países, a criminalidade e as agressões variam muito. Por isso, era necessário dispor tanto de técnicas menos lesivas como de outras mais contundentes, em função do tipo de agressão.
AMMA: Sendo o Mestre uma referência em técnicas de imobilização (Taiho-Jutsu), qual considera ser a maior dificuldade em ensinar um aluno a controlar um agressor sem necessariamente causar danos permanentes?
JMLG: Quando o agressor está muito alterado pelo consumo de drogas ou transporta armas brancas, e visto que a agressão é grave, torna-se mais difícil que a técnica de controlo não seja, simultaneamente, forte.

AMMA: Foi incluído na 16.ª edição do livro "Great Masters of Martial Arts". O que significa para si este reconhecimento num meio tão competitivo e vasto como o das artes marciais?
JMLG: Primeiro, é sempre uma honra receber qualquer tipo de reconhecimento. Até à data, fui premiado em mais de 49 Hall of Fame das artes marciais nos 4 continentes. Mas é a primeira vez que participava num livro assim e o meu primeiro reconhecimento no Brasil. Muito entusiasmado.

AMMA: Recentemente, em 2025, foi homenageado na Assembleia Legislativa de São Paulo. De que forma vê o papel do mestre de artes marciais enquanto educador de valores éticos para a sociedade?
JMLG: É muito importante para as crianças e jovens que começam uma disciplina marcial. Porque nela aprendem os valores do respeito, do companheirismo e do espírito desportivo, entre outros.

AMMA: O Mestre afirma que o seu trabalho foca-se na preparação mental. Numa situação de risco real, qual é a percentagem de importância que atribui à técnica física face ao controlo psicológico?
JMLG: É muito importante ter uma boa preparação técnica, porque isso faz com que a atitude mental seja reforçada, ganhando segurança nas ações. Mas a determinação no momento de uma atuação é vital. Porque, se se têm muitos conhecimentos e a pessoa bloqueia no momento de repelir uma agressão, então não servem de nada. Portanto, é conveniente treinar a preparação mental.
AMMA: Acredita que qualquer pessoa, independentemente da idade ou condição física, pode e deve aprender defesa pessoal, ou existem pré-requisitos fundamentais?
JMLG: Qualquer pessoa que não tenha grandes limitações físicas pode aprender. Mesmo com algumas limitações, é possível aprender.
AMMA: Como gostaria que o nome de José Luis Montes Garrido fosse recordado pelas futuras gerações de artistas marciais e instrutores da WISDA?
JMLG: Como especialista em técnicas policiais de detenção, formei muitos mestres e estes, por sua vez, formaram cinturões negros, criando uma cadeia de formação muito ampla.
Texto: Vitor Gomes
Fotos cedidas por Mestre José Luís Montes Garrido