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O poder do POM - (IV) Um doce para despedida

Não há dúvida nenhuma que a Lagoa da Vela e a sua área circundante é uma zona de rara beleza natural, que convida ao desfrute, num ambiente de calma reinante e donde em circunstância alguma poderá vir algum mal ao mundo (assim tivesse eu tanta convicção nas opções orientistas).

Daí que a derradeira etapa desta edição, se tenha disputado num local perfeito para uma despedida memorável. O característico pinhal atlântico, polvilhado por uma profusão de áreas abertas, em terreno predominantemente limpo, com uma excelente rede de caminhos, associado a um desnível quase inexistente, mas de dunas bem pronunciadas, transformaram os 4.400 metros e 21 pontos do meu escalão num “saboroso” doce para deglutir de uma assentada. Um mimo que a Organização fez questão de guardar para o “grande finale”.

Afirmam os psicólogos, que a última impressão dum determinado acontecimento é a que fica gravada na memória. Se assim for, este mapa não poderia ter sido melhor escolhido. A recordação que a maioria levou no regresso para casa, foi de certeza a sua melhor prestação no evento (no meu caso foi a deliciosa sopa de peixe servida no bar, mas gostos não se discutem). Futuramente, nem se lembrarão dos atascanços e pastorícias dos primeiros dias. No fundo é o validar da expressão – “tudo está bem, quando bem acaba”.

Para não ser considerado um desmancha-prazeres, fiz tudo o que estava ao meu alcance, para também poder terminar com um sorriso nos lábios. Forcei o físico, desempoeirei as meninges e tratei que os prismas não fugissem ao meu controle, tendo para isso estreado umas sapatilhas amarelo “fashion” (o dia era de gala), que me assentaram como uma luva, aliviando os sofridos pezinhos (os areais da Leirosa rebentaram com as velhinhas “Inov”).

Em abono da verdade, não fugi à regra, aproveitei um mapa propício ao sucesso e desenrasquei-me com certo à vontade, terminando o meu POM plenamente satisfeito com o último resultado alcançado. Mas tenho de contrariar os tipos da psicologia, visto que não irei conseguir esquecer os atropelos das etapas iniciais, porque provavelmente irei repeti-los (uma espécie de virose que só ataca os “berdadeiros”).

Com excepção do ponto 11, localizado numa “reentrância-anã” no centro duns verdes, que me fez atrasar um irrelevante minuto e meio, em virtude de existirem mais controlos nesses arbustos, provocando um congestionamento de tráfego, os restantes, com uma ou outra indecisão ligeira, não demonstraram arte nem engenho, que me impedisse de usufruir do “carinho” que nos foi posto à disposição.

Demorei pouco mais de três quartos de hora a despachar a receita de depressões, cotas e reentrâncias, que compunham o tão agradável “doce” de despedida. Para além de um mapa simpático, a Organização teve também o cuidado de apresentar uma Arena superiormente equipada e localizada, nas margens da aprazível lagoa, criando um cenário adequado a uma festa de encerramento e com a dignidade que um evento como o POM exige.

Mas não há bela sem senão…e houve um aspecto que podia ter causado alguma perturbação, caso o S. Pedro não tivesse aderido à modalidade. O facto do estacionamento se situar a mais de três quilómetros e os atletas estarem sujeitos à stressante espera dos “transfer” a céu aberto, teria contribuído para a desmoralização das “tropas”, se porventura a pluviosidade desse para o torto.

Para os anuários, prevalecerá o recorde de atletas numa prova nacional (só elites masculinos pontuaram 269) e a numerosa presença de grandes estrelas, com destaque para os vencedores da competição – o italiano de origem russa Mikhail Mamleev e a suíça Simone Niggli – que a par do líder mundial Daniel Hubmann e do sempre mediático Thierry Gueorgiou forneceram um brilho mais intenso ao acontecimento.

É da mais elementar justiça, congratularmo-nos pela formidável prestação dos três representantes lusos, que lograram atingir o lugar mais alto do pódio, nos respectivos escalões. Vera Alvarez, Alberto Branco e Armando Sousa foram os pontas de lança das cores nacionais, com particular realce para Santos Sousa, que ao vencer as quatro etapas de forma inapelável, esmagou positivamente a concorrência forasteira.

Na minha modesta opinião, S.S. funcionou como um autêntico exterminador de “camones”, transformando-se no vingador de todos os seus compatriotas que foram maltratados por um Tim Tett qualquer. Este britânico teve o desplante de percorrer as quatro etapas do seu grupo etário (24.100 metros no total) nuns ofensivos 147 minutos, enquanto um abnegado “berdadeiro” orientista demorava para cima do dobro. Afinal que veio este tipo cá fazer, se nem teve tempo de admirar a excelência das nossas florestas?

Com excepção de alguns casos esporádicos, o exército lusitano não revelou capacidade para ombrear com as tribos estrangeiras. Continuamos a manifestar algum défice técnico e físico, resultado natural de a modalidade em Portugal ainda se encontrar num estado embrionário. Enquanto nós andamos nestas lides há pouco mais de vinte anos, para a maioria daqueles que nos visitaram, a Orientação é uma religião que nos seus países se professa há mais de um século. Os azimutes fazem parte do seu ADN. Contra factos tão inquestionáveis, não existe argumentação válida.

Num pormenor os superamos com toda a clareza. Na arte de bem receber e organizar levam eles muito que contar e aprender. Conseguimos fidelizar de tal maneira a clientela, que no próximo ano, o mais natural é sermos novamente invadidos. Os vikings adoram os tugas e o seu quintalzinho, que havemos de fazer? Venham eles! Portalegre e Arraiolos irão recebê-los de braços abertos. Para demonstrar a nossa hospitalidade até os podemos deixar vencer.

Apenas um pequeno parênteses, para felicitar alguns atletas mais foliões que fizeram questão de nos recordar, competindo mascarados ou com fantasiosas camuflagens, que não nos devemos obcecar apenas com a competição, afinal estávamos em dia de Carnaval e ninguém poderia levar a mal a sã irreverência.

Quanto ao autor destes relatos, não surpreendeu ninguém, ao cometer uma panóplia de disparates, de acordo com a sua longa e fastidiosa tradição. Efectivamente, realizou um Portugal O`Meeting em crescendo, mas como partiu dum nível tão baixo, seria praticamente impossível fazer pior nas etapas subsequentes. 

 

Periodicidade Diária

quinta-feira, 29 de setembro de 2022 – 02:23:08

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