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Hugo Moniz, na primeira edição da Exercise Summit «O treino com resistência deve ser a componente central dos programas de saúde pública»

 

 

«O treino com resistência deve ser a componente central dos programas de saúde pública», defendeu ontem Hugo Moniz, CEO da EXS – Exercise School, na primeira edição da EXERCISE SUMMIT, que reuniu ontem, em Oeiras, cerca de 500 participantes, entre profissionais do exercício físico, médicos, ortopedistas, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas, para promover a partilha de experiências entre profissionais e investigadores. No âmbito da sua apresentação com o tema “Saúde no Mercado do Fitness”, o CEO da EXS recordou que «a ONU [Organização das Nações Unidas] identifica a inatividade como a quarta principal causa de morte no mundo».

 

«A inatividade é um problema de saúde pública. Temos muito por onde educar e transmitir a mensagem», considera Hugo Moniz, alertando que, «se olharmos para o exercício físico como um cuidado primário, e para o treino de força como um cuidado primário, abrimos uma porta para a certificação e reconhecimento da profissão» no campo da saúde. O responsável defende que «são inúmeros os benefícios que temos sobre o treino de força na saúde», e explica que «o treino de força é um interveniente educativo fundamental» constituindo «cuidados essenciais de saúde, que representam um primeiro nível de saúde».

 

Hugo Moniz alerta que «confiar na comunidade de profissionais de exercício físico é urgente», e «resta passarmos este selo de garantia e qualidade». O CEO da EXS alerta que em «2040 teremos três milhões de pessoas com mais de 65 anos», e que «a dor crónica afeta 36% da população adulta em Portugal». Hugo Moniz realça ainda que «nos últimos 15 anos tivemos um aumento de 500 euros por pessoa em termos de custo de saúde em Portugal. 900 milhões de euros é o custo anual da inactividade física no nosso país».  

 

Lucas Leal, gerente do Resistance Institute, de Barcelona, complementou a intervenção de Hugo Moniz, com a sua apresentação sobre o tema “Treino de Força. Transferência e Desenvolvimento Habilidade Funcional/Desportiva.” «Sem força não há exercício. A força é uma das qualidades físicas básicas», refere Lucas Leal. «Um músculo gera tensão que tem de ser conduzida pelo sistema nervoso. A força é só um dos componentes da realidade funcional», que, para o responsável, depende de factores genéticos, das qualidades físicas do executante e das qualidades técnicas. «Nenhuma quantidade de músculo vai ajudar um atleta se este não tem a técnica para usá-la de forma efetiva. Quando trabalhamos a força, devemos ter a certeza que todas as articulações trabalham em conjunto», explica Lucas Leal.

 

“O Treinador como Catalisador da Especificidade do Treino” foi o tema de Nuno Pinho, formador da EXS, que destacou a ideia de que «catalisar para a especificidade é estimular propriedades intrínsecas de algo ou alguém, neste caso das propriedades músculo-esqueléticas». Para o formador «o exercício é um processo de estimulação e adaptação, que consiste num desafio ao corpo de forma apropriada», no qual o treinador tem um papel fundamental. «O relevante no contexto de exercício não é o movimento, é o que está o está a produzir, que é a tensão muscular», explica. «O propósito da estimulação é a melhoria da capacidade do sistema neuromusculoesquelético controlar e mover as articulações», há, portanto, «uma necessidade de desmontar e perceber o que quero estimular naquele corpo», salienta Nuno Pinho.

 

Eduardo Carpinteiro, médico coordenador do grupo de cirurgia de ombro e cotovelo do Hospital da Luz, através da sua apresentação “Ombro – Cirurgia e Exercício”, deu a conhecer o trabalho desenvolvido pela sua equipa no tratamento de lesões desportivas, e explicou que «a função do ombro requer força equilibrada». O especialista partilhou vários aspectos que contribuem para o aparecimento de lesões desportivas, como «a moda do aumento do treino de alta intensidade, para o qual muitas pessoas não estão preparadas», mas também o uso de máquinas em ginásio, que, apesar de ser tido como «mais seguro, pode ter movimentos pouco naturais».

 

Eduardo Carpinteiro alertou que, «num ginásio, um ombro rapidamente se transforma numa articulação de carga, não o sendo naturalmente». O médico referiu que as intervenções mais comuns no seu dia-a-dia são para tratamento das lesões da coifa e dos rotadores, e mostrou vídeos de algumas intervenções realizadas. Aos profissionais do exercício deixou o apelo: «Vocês estão na primeira linha da prevenção. Nós, os médicos ortopedistas, já só podemos intervir para cozer o tendão roto».   

 

 

Na primeira parte da primeira edição da EXERCISE SUMMIT, João Moscão tinha desmistificado o alongamento na prática desportiva, que entende «não tem benefícios quase nenhuns. Não serve para nada», em conclusão de oito anos de estudo e pesquisa. Houve ainda espaço para abordar o tema “Fitness Iatrogénico – Práticas Potencialmente Perigosas”, por Samuel Corredoura, que destacou a importância de encarar a prescrição das práticas desportivas com a preocupação de «olhar para debaixo da pele» do atleta, tendo em conta a sua tolerância ao exercício. Este tema foi complementado por Jaime Milheiro, que abordou as “Doenças de Adaptação dos Tempos Modernos”, explicando que «muitas das doenças comuns têm origem na nossa resposta ao stresse. O corpo entra em doença porque não se consegue adaptar ao contexto a que está sujeito». André Matias, nutricionista especializado em engenharia alimentar, abordou ainda a Sarcopénia, perda de massa muscular associada à idade, do ponto de vista nutricional associado à prática desportiva      

 

A primeira edição da EXERCISE SUMMIT, organizada pela EXS – Exercise School, reuniu os maiores especialistas em exercício físico para discutir e avaliar as melhores práticas do setor, e abordar as novas tendências desportivas associadas à saúde. Este evento contou com mais de 500 participantes, entre personal trainers, instrutores de fitness e de recuperação física, e ainda médicos, psicólogos, nutricionistas, entre outros para promover a troca de informação e a partilha de experiências entre profissionais e investigadores da área.

 

 

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quarta-feira, 15 de abril de 2026

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